segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Primeiro mês do ano fortalece a esperança para 2026 e o futuro do planeta

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Opinião

Primeiro mês do ano fortalece a esperança para 2026 e o futuro do planeta

Baleia durante mergulho em Mooreia na Polinésia
Baleia durante mergulho em Mooreia na PolinésiaImagem: Pedro Nakano

Durante nossas expedições na Voz dos Oceanos, navegamos escutando, filmando e vendo de perto o que está acontecendo. Escutamos comunidades costeiras, cientistas, jovens, mulheres, pescadores, marisqueiras, empreendedores, povos tradicionais... Existem muitas pessoas protagonizando a transfoDaí, começa 2026 e o primeiro mês do ano nos traz boas notícias. Em 17 de janeiro entrou em vigor o Tratado Internacional do Alto-Mar, conhecido como BBNJ, finalmente reconhecendo mais de 60% dos oceanos do planeta no direito internacional. Ver esse tratado sair do papel me renovou com uma esperança profunda e concreta.

O BBNJ nasce justamente para corrigir uma lacuna histórica, estabelecendo bases legais para proteger a vida marinha em águas internacionais, exigir avaliações de impacto ambiental antes de grandes atividades, fortalecer a cooperação científica e garantir uma partilha mais justa dos benefícios gerados pelos recursos genéticos do oceano.

Tratados como o BBNJ são essenciais. Mas eles não operam milagres sozinhos. Um acordo internacional só ganha força real quando é compreendido pela sociedade, incorporado às políticas públicas e transformado em educação, cultura e consciência coletiva. Sem isso, ele corre o risco de existir apenas nos documentos oficiais.

Em campo com integrantes do Projeto Tamar
Em campo com integrantes do Projeto TamarImagem: Divulgação

E acabamos de ter mais uma notícia que entra oficialmente para a lista da ESPERANÇA. Na última quinta-feira, dia 22, a França colocou em vigor a Lei n° 2025-188, de 27 de fevereiro de 2025, que visa proteger a população dos riscos ligados às substâncias perfluoroalquiladas e polifluoroalquiladas (PFAS).

O que torna essa decisão ainda mais poderosa é o contexto. A França abriga uma das maiores e mais influentes indústrias de cosméticos do mundo, a maior da Europa. Um setor que movimenta cerca de US$ 17,5 bilhões, gera empregos, inovação e exportações globais. Mesmo assim, o país escolheu liderar. Escolheu dizer que crescimento econômico não pode continuar baseado em substâncias que deixam uma herança tóxica permanente no planeta.

Essa lei proíbe a produção, a importação e a venda de cosméticos e da maior parte das roupas e têxteis que contenham PFAS, os chamados químicos eternos. Substâncias criadas para conveniência, para dar impermeabilidade e resistência a manchas, mas que não se degradam na natureza. Elas contaminam solos, rios, oceanos, biodiversidade e se acumulam silenciosamente no corpo humano.

Quando conecto o Tratado Internacional do Alto Mar com essa lei francesa contra os químicos eternos, enxergo algo maior se formando. Uma mudança de mentalidade. Um entendimento de que saúde humana, oceanos, clima e consumo são partes do mesmo sistema. Uma grande onda de transformação.

Por isso repito: não estamos enxugando gelo. Estamos mudando a rota. E esperança não é ingenuidade. É decisão. É escolher agir, apesar dos desafios. É reconhecer que ainda há muito a ser feito, sim, mas também reconhecer o quanto já avançamos.

O oceano vivo, resiliente e poderoso, me mostra todos os dias que vale a pena continuar acreditando.

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