segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

O que vamos vestir?


Jenny Beavan





Neste esboço, Jenny Beavan, a figurinista de "Mad Max: Estrada da Fúria", imagina o que poderemos usar no futuro.
Será que a moda vai se transformar por questão de utilidade, não de ornamento?

MODAS DO FUTURO
Aquecimento global vai afetar como iremos nos vestir
por Jenny Beavan

Os figurinos de "Mad Max: Estrada da Fúria" imaginam como sobreviveremos ao futuro -- e o que vestiremos para isso. 

Foi difícil manter os personagens de "Mad Max: Estrada da Fúria" e os cosmonautas do filme "Life" (2017) seguros. Os primeiros se encontravam em um inferno pós-apocalíptico; os segundos, colonizando uma estação espacial, e todos precisavam de vestimentas sustentáveis, multifuncionais, para qualquer tipo de clima.

A roupa que criei para cada papel inclui um sistema de suporte à vida. Os personagens de Charlize Theron e Tom Hardy se viram constantemente castigados pelos elementos ao cruzarem o Deserto da Namíbia em "Mad Max", enfrentando estiagem, tempestade de areia e temperaturas extremamente altas. Para sobreviverem, era necessário que usassem roupas que os protegessem contra essas mudanças rápidas – e que, um dia, podem ser essenciais para nós também. 

Embora os tecidos que mudam de forma e cor sejam superdivertidos e criativos, servindo de inspiração para estilistas do mundo todo, a modernização e inovação podem se tornar uma questão de utilidade, e não de ornamento. Como se vê no esboço, acessórios como sistemas de energia embutidos que fazem da pessoa que os usa independente de energia elétrica convencional e/ou combustíveis fósseis são o futuro da indústria da moda.

Quando recebi o Oscar, usando jaqueta e calça de motoqueiro bordadas, sem querer causei meio que um furor por causa do vestia ou deixava de vestir; imagine a reação geral quando uma atriz, preocupada com a poluição, incluir um aparato de respiração ou filtragem no vestido de gala que usar no tapete vermelho.

O ano de 2016 é o mais quente já registrado e milhões de pessoas sentirão os efeitos desse fenômeno. As mudanças radicais no clima chegaram para ficar; precisamos nos vestir para isso.

A figurinista Jenny Beavan ganhou dois Oscars: um por "Uma Janela para o Amor" e outro por "Mad Max: Estrada da Fúria". Seus trabalhos mais recentes incluem "A Cure for Wellness" "Life" e "The Nutcracker and the Four Realms"



domingo, 11 de dezembro de 2016

15º Encontro de Folia de Reis do Distrito Federal




 O 15º Encontro de Folia de Reis do Distrito Federal acontece de 15 a 18 de dezembro de 2016 no Estacionamento do Bezerrão, no Gama-DF. O Encontro, que faz parte do calendário de eventos oficiais do Distrito Federal e conta com o apoio do GDF, visa valorizar, divulgar, promover e dar manter as manifestações culturais ligadas à tradição da Folia de Reis. Serão quatro dias de festa com a presença de mais de 500 foliões de todo o Brasil, em uma verdadeira celebração de fé, arte e cultura popular brasileira. 

O Encontro apresenta uma vasta e variada programação cultural com, apresentação dos grupos de folia, shows musicais, oficinas de danças típicas, exposições, rodas de prosa, missa sertaneja, feira de produtos artesanais e muito mais. A estrutura do evento conta com uma cenografia que reproduz o ambiente da cultura caipira brasileira. No último dia do evento será realizada uma missa sertaneja, a fim de celebrar a origem católica da comemoração dos Santos Reis. O acesso é público e gratuito, com censura livre.

As edições anteriores do Encontro contou com a presença dos maiores artistas do universo regional caipira. Este ano além dos grupos e ternos de foliões de diversos estados, teremos as presenças de André e Andrade, Zé Mulato e Cassiano, Pereira da Viola e mais 20 outros violeiros e grupos de danças populares.

O evento é promovido pela Associação dos Foliões de Reis do DF e Entorno (AFOREIS) e o Clube do Violeiro Caipira do DF.



terça-feira, 8 de novembro de 2016



OFICINA MICROTERRITORIAL CARIRI LESTE


A terceira e última oficina microterritorial do processo de requalificação do Plano Territorial de Desenvolvimento Sustentável do Cariri cearense será realizada no dia 9 de novembro de 2016 [quarta-feira], das 8 ao meio dia, no Campus da Universidade Federal do Cariri, em Brejo Santo.
O encontro deverá contar com as presenças de representantes de instituições públicas, organizações da sociedade civil, coletivos, comunidades, grupos e pessoas dos oito municípios do Cariri Leste, que possui uma área de aproximadamente 4.637 km², onde vivem cerca de 194.776 habitantes. O microterritório é formado pelos municípios de Aurora, Barro, Brejo Santo, Jati, Mauriti, Milagres, Penaforte e Porteiras.
Durante a oficina desta quarta-feira serão retomados os diálogos sobre o Documento Base apresentado na plenária realizada no dia 11 de outubro e disponibilizado na página acervo/download do blog oficial do PTDS Cariri. “Essa é a última de uma série de três oficinas microterritoriais, através das quais estamos apresentando o Documento Base elaborado pela equipe do Núcleo de Extensão em Desenvolvimento Territorial [NEDET] da Universidade Federal do Cariri e discutindo as propostas para o aprimoramento do mesmo. Por isso consideramos tão importante a participação de todas as pessoas interessadas no desenvolvimento sustentável do Cariri”, destaca Joelmir Pinho, da equipe do NEDET.
Serviço:
Oficina do processo de requalificação do Plano Territorial de Desenvolvimento Sustentável do Cariri
9 de novembro de 2016 [quarta-feira], das 8 ao meio dia, no Campus da UFCA, em Brejo Santo.
[+] www.ptdscariri.wordpress.com | ascom.nedetcariri@gmail.com | 88 9 9953-0610 [TIM/WhatsApp]

quinta-feira, 20 de outubro de 2016


III BIENAL DO LIVRO E DA LEITURA DE BRASILIA


Uma Bienal preocupada com a democracia




Com homenagens à poeta mineira Adélia Prado e ao pensador português Boaventura Sousa Santos, será aberta amanhã, no estádio Mané Garrincha, a III Bienal do Livro e da Leitura de Brasília (21 a 29 de outubro), um evento lítero-cultural que já encontrou seu lugar na agenda nacional. A programação deste ano reflete as aflições deste momento com a democracia, com os direitos humanos e com a intolerância que ameaça a convivência pluralista. “Precisamos reinventar a democracia se quisermos que ela faça parte da solução”, disse Boaventura em mensagem preliminar ao evento onde, além de homenageado, fará palestra e autografará livros no dia 28.
Os temas dos seminários programados refletem o espírito desta Bienal preocupada com a democracia e com os problemas do mundo: “Deslocamentos: Geopolítica, Cultura, Etnia, Economia e Religião”, “Novas Tecnologias e os efeitos na cultura, economia e vida cotidiana”, “Amor, afetividade e individualidade nos tempos modernos” e “ Vida urbana – Novos espaços, novos caminhos”.
A Bienal tem direção geral de Nilson Rodrigues e produção executiva de Eduardo Cabral. É uma realização do ITS – Instituto do Terceiro Setor, em parceria com a Secretaria de Cultura do GDF e apoiadores privados.  Nesta edição, haverá atividades com cerca de 120 escritores convidados, entre brasileiros e estrangeiros,  100 sessões de autógrafos e lançamentos de livros, 80 sessões de contação de histórias para crianças e jovens, 40 apresentações teatrais, além de 10 shows musicais de artistas nacionais e do Distrito Federal. Entre os convidados estrangeiros estão a mexicana Guadalupe Nettel, o inglês Theodore Dalrymple, a portuguesa Raquel Varela e o norte-americano Glenn Greenwald. Entre os brasileiros,  Renato Janine, Leandro Karnal, Celso Amorim, Márcia Tiburi, Viviane Mosé e Fernando Moraes. Participam da Bienal 170 expositores, desde pequenas livrarias até grandes editoras, oferecendo um painel da indústria editorial e livros a preços módicos. Na curadoria, além de Nilson Rodrigues, estão os escritores Hamilton Pereira, José Rezende e Nicolas Behr e a tradutora Lídia Luther.
No teatro, Jonas Bloch apresentará “O delírio do verbo’, inspirado em poemas de Manoel de Barros, Paulo Betti encenará seu monólogo autobiográfico e Arnaldo Antunes fará um espetáculo especial para o evento. A programação completa pode ser vista aqui.
Nesta entrevista ao 247, Nilson Rodrigues fala do espírito da Bienal, de seu significado político e cultural e de suas atrações.
247 -  Quando você organizou a I  Bienal do Livro de Brasília os mais céticos temeram que o evento não se firmasse, por conta das dificuldades para sustentar sua ambiciosa logística ou por receio de que um evento voltado para livros e literatura não atraísse o publico de uma cidade essencialmente administrativa. Agora, na III edição, já é possível afirmar que a Bienal virou uma tradição?
R - Eu sempre acreditei na vocação cosmopolita da nossa capital. Quando projetamos a Bienal tínhamos convicção de  que a resposta da sociedade  seria muito positiva. Brasília é patrimônio cultural da humanidade, sedia os corpos diplomáticos e desde a sua fundação se propôs a ser uma cidade moderna, aglutinando os pensamentos e a criatividade de intelectuais como Oscar Niemeyer, Lúcio Costa, Joaquim Cardozo, Darci Ribeiro, entre muitos outros. A Bienal é um projeto de caráter internacional que  reúne escritores brasileiros e estrangeiros, debate temas contemporâneos e estimula o mercado do livro. È um esforço para que a cidade continue pensando e refletindo sobre os grandes temas do Brasil e do mundo.
247 -  Quais são as dificuldades para organizar um evento desta grandeza e quais foram os obstáculos específicos desta terceira edição, num ano de recessão, ajuste fiscal e  patrocinadores retraídos?
 R - Nunca é fácil realizar projetos culturais, principalmente os que se propõem a ser provocadores, questionadores dos modelos de sociedade que temos. A Bienal se afirmou nesses anos como um dos principais projetos de livro e leitura do país, atraindo um grande público e se diferenciando dos demais pela qualidade de sua programação, pelos debates que promove.  Nesse momento politico e econômico que o país vive, as possibilidades de parceria e de patrocínios diminuíram. Como a Bienal tem entrada franca para todas as atividades, esses apoios são determinantes. Entretanto, embora as dificuldades e os obstáculos sejam muitos,  não podemos parar. Até porque os debates e as reflexões nos iluminam para superar as dificuldades em que vive o país.
 247 - A programação deste ano sugere que houve um maior empenho em promover artistas e escritores locais, embora sejam muitos os convidados internacionais e de outros estados.  Isso procede?
R - Desde a primeira Bienal buscamos equilibrar a participação de artistas de Brasilia. Nacionais e internacionais. Nesta edição não foi diferente, há espaço para todos. 
 247 -  Você tem uma avaliação do impacto positivo que as bienais passadas tiveram sobre a dinâmica cultural e especialmente sobre a produção intelectual e a vida editorial da cidade?
R - Eu sempre penso no público, no cidadão, quando realizo projetos artísticos e culturais. Quando há diálogo com o publico, se o destinatário das ações é alcançado, sempre ha impacto da cultura e nas sua dinâmica. A qualidade da produção intelectual de uma país , de uma cidade depende de vários fatores. Acho que a Bienal ajuda o debate sobre grandes questões que nos afligem, contribui para que esses temas  saiam das páginas dos livros e do espaço acadêmico e se encontre com um público mais amplo. E isso tem relevância política, social e cultural.
247 - O homenageado deste ano é o pensador social português Boaventura Sousa Santos, um crítico do capitalismo global e do neoliberalismo, um defensor da radicalização da democracia e da reinvenção do pensamento de esquerda.  A escolha guarda alguma relação com a conjuntura política que o Brasil atravessa, marcado pelo arranhão democrático que foi o impeachment  e a emergência de um governo ultraliberal que tem sua legitimidade contestada, aqui e lá fora?
 R - A Bienal sempre buscou estar em sintonia coma História e com as questões contemporâneas. Na primeira edição homenageamos o Nigeriano Woylle Soynka, ensaista, romancista, dramaturgo e o primeiro negro africano a ganhar o Prêmio Nobel de literatura. Portanto,  um gesto de reconhecimento a contribuição africana à literatura mundial e à formação cultural do nosso país, sabidamente racista e excludente. Na segunda edição, homenageamos o uruguaio Eduardo Galeano, o grande interprete dos sonhos , das dores e das possibilidades da América Latina. Homenagear nesta terceira edição da Bienal o pensador português Boaventura de Souza Santos  significa dar destaque às suas reflexões sobre direitos humanos e aos descaminhos do modelo de democracia representativa, que garroteada pelas corporações e pelo poder econômico representa, menos do que se quer e se necessita, os interesses da maioria das sociedades. Essa crise não é só no Brasil, em todo o ocidente temos visto o desgaste desse modelo.  Daí a importância de homenagear um intelectual como Boaventura de Souza Santos, pelo seu compromisso com a democracia, com as possibilidades de ampliação de participação dos cidadãos nos processos políticos.
247 - Você é ativista cultural, produtor de cinema, empresário do setor e formulador de políticas para cultura. Como se sai com estes pais numa cidade que gravita em torno do poder e não possui exatamente uma infraestrutura cultural consistente?
R - Brasília tem hoje uma demanda muito grande por atividades culturais. Há muitas pessoas produzindo arte e cultura e um público crescente, interessado. Paradoxalmente, a maioria dos espaços culturais está fechada ou funcionando precariamente. È uma tragédia urbana! Não há politicas públicas de cultura que dêm conta de, pelo menos,  aproximar-se dos que estão excluídos, que estão na periferia, à margem. Se o Teatro Nacional está fechado h[a  três anos, é possível imaginar como deve ser a oferta nas cidades satélites, de espaços para fruição e formação. O pouco que é feito é para as classes medias e altas. Essa realidade está presente em quase todos os estados, salvo uma ou outra exceção. A responsabilidade é dos governos e das corporações, que enxergam mais seus interesses próprios em detrimento do conjunto da