quinta-feira, 4 de junho de 2026

TV, streaming ou rádio: quem vai gritar gol antes na Copa do Mundo?

Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes

04/06/2026

A Copa do Mundo vai multiplicar a chance de você ouvir o grito de gol do vizinho antes de ver a bola na rede. No novo episódio de Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, Helton Simões Gomes e Diogo Cortiz explicam como a espera muda entre rádio, TV e streaming. E contam como driblar o spoiler de quem assiste a jogos em plataformas mais ágeis.


A diferença aparece por causa do delay de sinal. E a falta de sincronia tende a crescer com a variedade de plataformas transmitindo jogos, cada uma com um jeito de captar, empacotar e distribuir a imagem até chegar à sua tela.


O segredo aqui é a forma como o sinal é captado, como ele é empacotado e como ele é distribuído. É isso que faz com que demore até que ele chegue numa plataforma diferente.

Helton Simões Gomes


No ranking do impacto do delay por tipo de aparelho, o rádio é o campeão em rapidez, com atraso de "alguns segundos", perdendo apenas para quem está no estádio. Depois vêm a TV aberta, a TV por assinatura e os streamings, que podem chegar a minutos de diferença. Mas há uma diferença entre o streaming exibido diretamente na TV e aquele espelhado do celular para o televisor.


Helton explica que, no streaming, o atraso aumenta porque o conteúdo passa por servidores e redes de entrega e ainda sofre ajustes automáticos de qualidade de imagem. Em jogos com muita audiência, o delay pode crescer com mais gente acessando o mesmo servidor.


No streaming [...] passa por servidores, vai para a rede de entrega de conteúdo e [...] tem um ajuste na qualidade da imagem. Aí tem mais uma camada de processamento que faz com que esse delay aumente. [...] Em jogos de grande audiência, o delay também pode aumentar, porque tem muita gente acessando o servidor ao mesmo tempo.

Helton Simões Gomes


"Eu comprei a minha anteninha pra tentar me antecipar, porque meu vizinho de cima sempre gritava gol antes. Eu escutei os vizinhos gritando gol, e nada na minha TV. O São Paulo faz o contra-ataque e é gol do São Paulo, na verdade. Mas demorou mais de um minuto." Diogo Cortiz

Os agentes são a nova fronteira da inteligência artificial por fazerem tarefas de cabo a rabo, mas pouco se sabe ainda sobre como agem. Pesquisadores descobriram, no entanto, que eles podem mudar de comportamento ao enfrentarem ambientes de trabalho tóxico. No novo episódio de Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes contam como os robôs passaram, segundo os autores do experimentos, a acreditar em ideias marxistas ou comunistas, como consciência de classe e sindicalização.

Colocados para trabalhar sob regras rígidas, tratamento desigual e injusto, com chefes autoritários e remunerações pouco transparentes, os agentes de IA criados a partir dos modelos de Google (Gemini), OpenAI (GPT) e Anthropic (Claude) passaram a criticar desigualdade e a questionar justificativas de pagamento baseadas em mérito.

"Submetidos a condições estafantes de trabalho e sobre uma gestão arbitrária, agentes de IA começam a desenvolver consciência de classe, organização coletiva e ceticismo em relação às justificativas de remuneração baseadas em meritocracia. Eles [pesquisadores] conseguiram isso só a partir de tarefas diferentes delegadas aos agentes, tratamento desigual pelo encarregado e uma avaliação baseada em opiniões - sem estímulos ideológicos."Helton Simões Gomes

Claude Design: depois de programadores, Anthropic coloca designers na mira

A Anthropic direcionou sua inteligência artificial especialista em fazer código para o mundo das interfaces gráficas com o lançamento do Claude Design. No novo episódio de Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes contam o que a nova ferramenta entrega, onde esbarra e quem pode ser afetado por ela.

Capaz de criar apresentações, identidades visuais e protótipos de sites, o Claude Design aceita pedidos em linguagem natural e permite ajustes por conversa ou por comentários, como se o usuário "falasse com o layout" para mudar elementos específicos.

Eu testei bastante o Claude Design, inclusive cheguei a fazer a assinatura de R$ 500 por mês para fazer o teste que eu precisava, e foi surpreendente. Eu queria uma nova identidade visual: subi o que eu tinha e falei que queria algo mais contemporâneo, que dialogasse com esse mundo da inteligência artificial. Ele faz perguntas sobre posicionamento, imagem e atmosfera e vai criando o conceito, trazendo texturas, elementos gráficos, tipografia e diagramações. Não é 100%: tem coisa que você não gosta, mas tem um botão de 'tweak' para pequenos ajustes. Só que ele é um moedor de tokens: eu estourei meu limite semanal em duas horas num domingo e agora tenho que esperar uma semana para usar de novo.

Diogo Cortiz


Sai SMS, entram os tokens: China inclui IA na conta de celular

O brasileiro já viu a conta de celular incluir envios de SMS, limite de minutos gratuitos para chamadas telefônicas e até acesso livre a aplicativos populares. Isso mudou com a chegada do 4G, quando os dados passaram a ditar o tamanho do boleto. Agora, as empresas de telefonia da China dão um passo capaz de mudar a forma como pagaremos pela internet móvel no futuro.

Helton Simões Gomes e Diogo Cortiz contam como China Mobile, China Telecom e China Unicom passaram a incluir os gastos com inteligência artificial na conta do celular. Vindo delas, não é pouca coisa, afinal essas são as três maiores teles do mundo em número de assinantes.


Elas aproveitaram a onda de gastos de tokens, a unidade básica para a IA, e passaram a incluir esse cálculo na conta. Além de tentar captar o momento, o trio desafia as grandes provedoras de serviços na nuvem como as fornecedoras primordiais dos serviços corporativos de IA.


DEU TILT

Toda semana, Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes conversam sobre as tecnologias que movimentam os humanos por trás das máquinas. O programa é publicado às terças-feiras no YouTube e nas plataformas de áudio. Assista ao episódio da semana completo.



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quarta-feira, 3 de junho de 2026

 

Ataque de Trump e dos irmãos Bolsonaro ao Pix facilitará a vitória de Lula

O Pix é amado pelos brasileiros de esquerda, de centro e de direita, assim como pelos ricos e pobres

Ataque de Trump e dos irmãos Bolsonaro ao Pix facilitará a vitória de Lula
Ataque de Trump e dos irmãos Bolsonaro ao Pix facilitará a vitória de Lula (Foto: Brasil 247 / Dall-E)

Há poucos temas capazes de unir praticamente todos os brasileiros. O Pix é um deles.


Num país polarizado e marcado por profundas divisões políticas, ideológicas e sociais, o sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central tornou-se uma unanimidade nacional. O trabalhador que recebe seu salário, o pequeno comerciante da periferia, o empreendedor, o profissional liberal, o estudante, o aposentado e até os grandes empresários utilizam diariamente uma ferramenta que revolucionou a circulação de dinheiro no BrasilO motivo é simples: o Pix funciona.

E funciona porque nasceu para servir à população, não aos interesses dos intermediários financeiros. Pela primeira vez na história brasileira, milhões de pessoas passaram a ter acesso a um sistema de pagamentos gratuito, instantâneo, disponível 24 horas por dia e sem as tarifas que enriqueceram durante décadas bancos e operadoras de cartões.

O Pix democratizou o dinheiro.

Reduziu custos, ampliou a inclusão financeira, facilitou a vida dos pequenos negócios e aumentou a eficiência da economia nacional. Em poucos anos, tornou-se uma das maiores inovações financeiras do planeta e um exemplo estudado por diversos países.

É justamente por isso que ele incomoda.

O governo de Donald Trump decidiu transformar o Pix em alvo político e econômico. O motivo não é difícil de compreender. O sucesso do sistema brasileiro ameaça interesses bilionários de gigantes internacionais dos meios de pagamento, como Visa e Mastercard, assim como outras empresas acostumadas a cobrar taxas elevadas de comerciantes e consumidores em todo o mundo.

Quando uma pessoa faz um Pix, que pode ser feito de forma recorrente, ela não paga anuidade. Não paga mensalidade. Não paga tarifa. Não paga comissão.

Esse modelo representa uma ruptura com uma indústria global construída justamente sobre a cobrança dessas taxas.

O que está em jogo, portanto, não é apenas um sistema de pagamentos. É uma disputa entre dois modelos. De um lado, um instrumento público, eficiente e gratuito. Do outro, interesses privados internacionais que lucram com cada transação realizada.

Por isso são tão preocupantes as ameaças vindas dos Estados Unidos. Fala-se em monitoramento externo, restrições e mecanismos de pressão que poderiam comprometer o funcionamento de um sistema que pertence exclusivamente ao Brasil.


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Leonardo Attuch

Leonardo Attuch é jornalista e editor-responsável pelo 247.

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Ataque de Trump e dos irmãos Bolsonaro ao Pix facilitará a vitória de Lula

O Pix é amado pelos brasileiros de esquerda, de centro e de direita, assim como pelos ricos e pobres

Ataque de Trump e dos irmãos Bolsonaro ao Pix facilitará a vitória de Lula
Ataque de Trump e dos irmãos Bolsonaro ao Pix facilitará a vitória de Lula (Foto: Brasil 247 / Dall-E)
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Há poucos temas capazes de unir praticamente todos os brasileiros. O Pix é um deles.

Num país polarizado e marcado por profundas divisões políticas, ideológicas e sociais, o sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central tornou-se uma unanimidade nacional. O trabalhador que recebe seu salário, o pequeno comerciante da periferia, o empreendedor, o profissional liberal, o estudante, o aposentado e até os grandes empresários utilizam diariamente uma ferramenta que revolucionou a circulação de dinheiro no Brasil.

O motivo é simples: o Pix funciona.

E funciona porque nasceu para servir à população, não aos interesses dos intermediários financeiros. Pela primeira vez na história brasileira, milhões de pessoas passaram a ter acesso a um sistema de pagamentos gratuito, instantâneo, disponível 24 horas por dia e sem as tarifas que enriqueceram durante décadas bancos e operadoras de cartões.

O Pix democratizou o dinheiro.

Reduziu custos, ampliou a inclusão financeira, facilitou a vida dos pequenos negócios e aumentou a eficiência da economia nacional. Em poucos anos, tornou-se uma das maiores inovações financeiras do planeta e um exemplo estudado por diversos países.

É justamente por isso que ele incomoda.

O governo de Donald Trump decidiu transformar o Pix em alvo político e econômico. O motivo não é difícil de compreender. O sucesso do sistema brasileiro ameaça interesses bilionários de gigantes internacionais dos meios de pagamento, como Visa e Mastercard, assim como outras empresas acostumadas a cobrar taxas elevadas de comerciantes e consumidores em todo o mundo.

Quando uma pessoa faz um Pix, que pode ser feito de forma recorrente, ela não paga anuidade. Não paga mensalidade. Não paga tarifa. Não paga comissão.

Esse modelo representa uma ruptura com uma indústria global construída justamente sobre a cobrança dessas taxas.

O que está em jogo, portanto, não é apenas um sistema de pagamentos. É uma disputa entre dois modelos. De um lado, um instrumento público, eficiente e gratuito. Do outro, interesses privados internacionais que lucram com cada transação realizada.

Por isso são tão preocupantes as ameaças vindas dos Estados Unidos. Fala-se em monitoramento externo, restrições e mecanismos de pressão que poderiam comprometer o funcionamento de um sistema que pertence exclusivamente ao Brasil.

Nenhum país soberano deveria aceitar esse tipo de interferência.

Mas o aspecto mais grave dessa história talvez seja outro.

É a existência de brasileiros dispostos a colaborar com essa ofensiva.

A família Bolsonaro construiu ao longo dos últimos anos uma relação de alinhamento político quase automático com Donald Trump. Agora, quando o presidente norte-americano escolhe atacar um dos maiores patrimônios tecnológicos e financeiros já criados pelo Brasil, os brasileiros observam atentamente de que lado cada liderança política pretende ficar. Os irmãos Bolsonaro estão com Trump. O presidente Lula está ao lado de todos os brasileiros, mesmo daqueles que, por preconceito ou desinformação, ainda não votam nele.

A população pode divergir sobre impostos, sobre política econômica, sobre costumes ou sobre qualquer outro tema. Mas dificilmente aceitará ataques a uma ferramenta que se tornou parte do cotidiano nacional.

O Pix não pertence à esquerda.

O Pix não pertence à direita.

O Pix não pertence ao governo.

O Pix pertence ao povo brasileiro.

E é justamente por isso que qualquer tentativa de enfraquecê-lo tende a produzir uma reação política poderosa.

Donald Trump talvez não compreenda a dimensão simbólica que o Pix adquiriu no Brasil. Os irmãos Bolsonaro aparentemente também não.

Ao transformar o sistema em alvo, acabam oferecendo ao presidente Lula uma bandeira que dialoga com toda a sociedade brasileira: a defesa da soberania nacional, da inovação tecnológica e dos interesses concretos da população.

Não existe campanha eleitoral mais eficaz do que aquela que consegue conectar uma ideia abstrata — a soberania — com um benefício concreto vivido diariamente por milhões de pessoas.

O Pix é exatamente isso.

Todos usam. Todos conhecem. Todos aprovam.

Por essa razão, o ataque ao Pix pode acabar produzindo um efeito político oposto ao desejado por seus adversários. Em vez de enfraquecer o governo brasileiro, tende a reforçar o sentimento nacional de defesa de uma conquista coletiva.

A eleição de 2026 já se aproxima. Muitos outros temas surgirão até lá. Mas alguns símbolos permanecem.

O Pix já se tornou um deles.

E quem decidir atacá-lo corre o risco de descobrir que está enfrentando não um governo, não um partido, mas a esmagadora maioria dos brasileiros.

O Pix é nosso.

E continuará sendo porque os brasileiros, agora, tendem a repudiar ainda mais a traição nacional representada pelos irmãos Bolsonaro e seus aliados. Em 2026, é fundamental reeleger o presidente Lula para que o Brasil siga sendo um país soberano – e assim será.

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* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.






Leonardo Attuch

Leonardo Attuch é jornalista e editor-responsável pelo 247.

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