terça-feira, 11 de outubro de 2011

Quinze anos sem Renato Russo

 Há exatos 15 anos a Legião Urbana, um dos grupos mais adorados da história do rock nacional, perdia seu vocalista e letrista, Renato Russo. O culto à banda, no entanto, resistiu ao tempo, atravessando diversas gerações: experimente puxar um dos sucessos do grupo e uma multidão é capaz de cantar junto em uníssono.
E essa trajetória tão impressionante pode ter partes reconstituídas a partir de três filmes: ‘Somos Tão Jovens’, de Antônio Carlos da Fontoura, cinebiografia de Renato; o documentário ‘Rock Brasília, Era de Ouro’, de Vladimir Carvalho, com depoimentos de artistas das principais bandas da época, inclusive o próprio vocalista da Legião, e o longa ‘Faroeste Caboclo’, de Renê Sampaio, inspirado na música de mesmo nome.
“Quando vejo que se passaram 15 anos (da morte de Renato), a primeira coisa que eu penso é como tem tanto tempo. São 16 anos da última apresentação, é muito louco e estranho. Mas o que ficou, como a homenagem no Rock in Rio deixou claro, o que faz sentido, é como as canções até hoje continuam emocionando as pessoas”, afirma Dado Villa-Lobos, guitarrista da Legião. “Você acaba lembrando de muitas coisas. Isso tudo tem um sentido muito especial, e você também tem que saber lidar com a perda, com a morte, assim como se lida com a vida”, acredita.
TRÊS VEZES NO CINEMA
Previsto para meados de 2012, ‘Somos Tão Jovens’ traz Thiago Mendonça no papel de Renato, e João Pedro e Nicolau, filhos do guitarrista Dado Villa-Lobos e do baterista Marcelo Bonfá, respectivamente, interpretando os pais. “A primeira vez que eu fui no set, eles estavam recriando um show que a gente tinha organizado em cima de um caminhão, em uma lanchonete que não existe mais. Aquele contexto deu um arrepio”, conta Philippe Seabra, vocalista da Plebe Rude e consultor do longa.
Dado, Bonfá e a família de Renato também aprovaram o projeto. “A ideia do filme era do (produtor musical) Luiz Fernando Borges, grande amigo meu e do Renato. Rolou uma proximidade, quase cumplicidade, a gente leu o roteiro, aprovou. É uma versão bem realista, ainda que romantizada, da história”, afirma Dado.
Um dos aspectos mais comentados do longa é a atuação de Thiago Mendonça como Renato Russo. Ele e os atores que vivem os membros do Aborto Elétrico e Legião Urbana (as duas bandas de Renato) tiveram aulas com o diretor musical do longa, Carlos Trilha, que foi tecladista da Legião por seis anos. O resultado é que Thiago aprendeu a tocar baixo, violão e craviola, além de cantar: as gravações foram feitas durante a filmagem, não é playback.
“Fazer esse papel me aproximou do Renato, de mim, da música ”, resume Thiago. Trilha elogia a musicalidade do ator (“Ele cantou afinado desde a primeira vez, mostrou intimidade com o baixo desde o primeiro dia”) e conta que observou a evolução dele no papel.
“Um dia, o Thiago chegou diferente no estúdio. A partir dali, ele assumiu a liderança no grupo musical (formado para o filme). Eu até me confundia, chamava ele de Renato em vez de Thiago”, diz Trilha. O diretor Antônio Carlos da Fontoura é só elogios. “O desempenho de Thiago é mais do que surpreendente, é mágico. No filme, ele se move, fala, canta, toca e sente como Renato. Ele é Renato”, afirma.
Já ‘Rock Brasília, Época de Ouro’ (em cartaz no Festival do Rio) traz entrevistas com integrantes dos principais grupos do Distrito Federal nos anos 80, como Capital Inicial, Paralamas e Plebe Rude, entre outras, e imagens de época. “É a celebração de uma turma unida pela música, porque Brasília naquela época só tinha isso: amizade e música. A gente estava fisicamente isolado”, analisa Philippe Seabra.
A música ‘Faroeste Caboclo’ virou roteiro nas mãos de Marcos Bernstein e Victor Atherino: no longa, Fabrício Boliveira é o protagonista João de Santo Cristo, Ísis Valverde é a mocinha Maria Lúcia e Felipe Abib é o vilão Jeremias. “É uma história clássica, um ‘Romeu e Julieta’ do Brasil”, resume Dado. “Tenho a versão original dessa música e não mudaram nada: ela tem quase 10 minutos, sem refrão. É a prova de que dá para fugir do esquema do pop batido de dois minutos e meio”, diz Philippe.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Congos em festa em Catalão-GO

Termina nesta segunda-feira (10), a  festa de Nossa Senhora do Rosário de Catalão-GO. Mais de quatro mil dançadores de 24 ternos de congo tomaram as ruas da cidade ao som das caixas, numa grande festa iniciada na madrugada do dia 30 de setembro. 

Tradição
Catalão, a 261 km de Goiânia, mantém essa tradição das congadas em homenagem a Nossa Senhora do Rosário  que é celebrada desde 1876.  A festa é considerada a mais antiga manifestação em louvor a Nossa Senhora do Rosário no Brasil. As homenagens surgiram com o escravo Chico Rei, que misturava crenças do catolicismo com ritos afros para agradecer as libertações de seus companheiros. 

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O que dizem e escrevem sobre Paulo Nunes Batista e sua obra

FORTUNA CRÍTICA


O que dizem e escrevem sobre Paulo Nunes Batista e sua obra



Abel B. Pereira, poeta de “A Figueira”, de S. Catarina: – “Quisera eu que todos os textos que chegam em minhas mãos tivessem o “quilate” dos seus!”.

Adelino Brandão, escritor, folclorista, de Brasília-DF: – “Recebi sua carta e, com maior alegria, o folheto “Euclides da Cunha”, (...) recebi, também os folhetos “Meu abc de cordel a Juazeiro do Norte” e “Historia do boi mansinho”. / tudo uma gostosura como todos os versos que Vc. Faz, no gênero”.

Adriano da Gama Kury, escritor, da casa de Rui Barbosa: – “Posso garantir-lhe que seus abecês foram grandemente apreciados por ele (refere-se a Orígenes Lessa) que inclusive este mostrando-me uns que considera “da melhor categoria”, como o “ABC do Barbeiro”.

Alcimar Fernandes Pereira, poeta anapolino: – “Das inúmeras leituras, mapeamento insaciável, que o torna quase um usuário de verbos e transcendências, Paulo Nunes Batista recolhe o grau exato de universalidade e atemporalidade”.

Aldenor Benevides, escritor cearense: – “Tudo que Paulo Nunes escreve aprimora o espírito da gente porque ele vive sempre em sintonia com o Bem e não mede esforços nem distancias para produzir algo de nobre e elevado”.

Alice Spindola, poetisa e escritora mineira, de Goiânia: – “

Aloísio Miguel Marques, (Campeão): – “Vento de rima solta, Paulo Nunes Batista é a própria amplidão do cerrado goiano”.

Altimar de Alencar Pimentel, escritor, jornalista, teatrólogo – (...) “Embora a disciplina da poesia rimada tenha preferência no poetar de Paulo Nunes Batista, ele pratica o verso branco com igual força e expressividade, revelando o domínio da forma, do ritmo, e grande imagética.” In prefácio de “Sonetos Seletos”. // “Você é o poeta e a voz de um povo”.

Anatóle Ramos, escritor e jornalista – “Paulo Nunes Batista é Poeta. //A Poesia é.” In orelha da 1ª ed. de “Cantigas da Paz”

Anderson Braga Horta, poeta, escritor, crítico literário – “Só duas pessoas vi improvisar de modo tão impressionante, seja empregando os métodos menores, como a descontraída e cantante redondilha, seja torneando os maiores, como o nobre decassílabo. Primeiro foi Jansen Filho... (...) Anos mais tarde, em Brasília, no extinto bar-restaurante Macambira da 406 Sul, onde a ANE de Almeida Fischer, a nossa Associação Nacional de Escritores, realizava semanalmente os seus encontros informais, sentado próximo a PNB, vi-o escrever, em catadupas, extraordinários improvisos endereçados aos colegas presentes. Guardo ainda, e guardarei sempre, os que me dedicou”. In prefácio de “O Vôo Inverso”.

Antonio Carlos Osório, escritor, de Brasília-DF: – “Envio ao ilustre poeta, cujo talento queremos ouvir e ver novamente em Brasília, uma saudação muito cordial, permanecendo inteiramente às suas ordens”.

Antonio de Deus, professor de literatura, escritor: – “Belos são os versos de Paulo Nunes Batista, que se reafirma em “O Sal do Tempo” como porta-voz mais categorizado das aspirações e dos dilemas de nossa época”.

Antônio José de Moura, escritor, romancista, da AGL: – “Obrigado mesmo. Espero que você – um dos nossos melhores e mais genuínos poetas – esteja produzindo bastante: para bem de nós todos”.

Hoje é dia de Nossa Senhora do Rosário, dos forros das igrejas barrocas aos barracos de Congos


Manoel da Costa Ataíde: Nossa Senhora rodeada de anjos músicos. Forro da Igreja de São Francisco, Ouro Preto
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A festa do Rosário de Nossa Senhora no Brasil está ligada a grupos negros que realizam os autos populares conhecidos pelos nomes de Congada, Congado ou Congos. Por essa vinculação aos negros, o Congado se tornou também uma festa de santos de cor, como São Benedito e Santa Efigênia.
Embora alguns autores atribuam a gênese do Congado a uma influência européia, ligando-a às lutas religiosas da Idade Média, a hipótese mais forte é que defende a origem afro-brasileira do culto. É importante lembrar que o processo de catequese, através de missionários dominicanos, levara Nossa Senhora do Rosário à África, impondo seu culto aos negros. O acréscimo dos elementos de coroação de reis, lutas e bailados guerreiros é a contribuição africana, numa rememoração das  práticas da Terra-Mãe.
Mas o traço decisivo da criação do Congado ocorrerá no Brasil colonial, através do processo aculturativo: de um lado, o modelo religioso do branco, de outro, a recriação do negro.
Para os Arturos, a festa do Rosário é uma das fases mais importantes para a vida da comunidade, representando o movimento máximo da concretização do amor à Grande Mãe. Há dois grupos nitidamente distintos: as guardas de Congo e Moçambique. A caracterização das guardas pode ser feita através dos seguintes elementos: fundamentação mítica, função, vestuário, símbolos condutores, instrumentos distintos, tipo de movimento e de dança, linguagem dos cantos.
Pela fundamentação mítica, as guardas se formaram ainda na África, quando uma imagem de Nossa Senhora do Rosário apareceu no mar. O grupo do Congo se dirigiu para a areia e, tocando seus instrumentos, só conseguiu fazer com que a imagem se movesse uma vez: num movimento rápido, Nossa Senhora se encaminhou para a frente e parou. Então vieram os negros moçambiqueiros, batendo seus tambores recobertos com folhas de inhame, cantando para a Santa e pedindo-lhe que viesse para protegê-los.
A imagem veio se encaminhando, no movimento do vai-vem das ondas, lentamente, até chegar à praia.
 
A função das guardas se define através da narrativa mítica: o Congo puxa todos os dançantes, em movimento rápido, abrindo caminho; o Moçambique é o responsável pela Senhora, representada pelos reis cujas coroas a guarda conduz. O próprio vestuário se prende à estrutura do mito. Quando os moçambiqueiros usam as cores de Nossa Senhora - o azul e o branco - e os congos se vestem de rosa e verde, significando o caminho, com galhos e flores, para a Senhora passar. Indo à frente, o congo anuncia a chegada dos filhos do Rosário, preparando a passagem.
Dada a origem africana do ritual, alguns elementos materiais funcionam como fetiches, centralizando o poder e a força sobrenatural. Investidos de magia, transformando-se em símbolos condutores.

 
 

Capitão de Coroa - Guarda de Moçambique
Assim, o bastão é o símbolo de comando do Moçambique, enquanto a espada e o tamboril conduzem o Congo. A interpretação da origem dos fetiches está ainda ligada à fundamentação mítica, onde o Congo, abridor de caminhos, se arma pela espada, enquanto conduz o tamboril, símbolo dos instrumentos que moveram a imagem santa; o Moçambique carrega o bastão, índice de poder, por ter conseguido o resgate da estátua.
Ainda no movimento da dança se replica a força do mito: o Congo se desloca rapidamente, enquanto é mais lento o movimento dos "donos-de-coroa". A dança dos congos é saltitante, marcada pela ginga e pelo cruzamento de pernas e pés; a direção assumida é da horizontalidade, com deslocamentos laterais (movimento pendular). O movimento do Moçambique assume uma profundidade que se caracteriza pela tendência à penetração: é como se o corpo do dançante quisesse varar a terra, batendo e voltando. Um dos elementos mais importantes para a distinção do Congo e do Moçambique é a linguagem dos cantos. Como guarda mais antiga, os moçambiqueiros são os senhores da música secreta e mágica, cantando a memória de África e dos antepassados. Com a mesma força criativa com que fez seus tambores de inhame para tirar a Senhora das águas, o Moçambique recria o canto, com improvisações que podem durar longo tempo: abre-se a caixinha mágica do inconsciente coletivo e a memória mítica aflora.
A linguagem do Congo expressa a religiosidade e a vida mais recente do grupo, através dos cantos que lembram os problemas sociais com o poder público e a Igreja, a história de guardas visitantes e as brincadeiras ou bizarrias. A estrutura do canto é fixa, limitando-se às improvisações.
 
Rainha do Congado dos Arturos  - Unicamp, 1996 

Fontes bibliográficas: Núbia Pereira de Magalhães Gomes e Edimilson de Almeida Pereira. 
"Negras Raízes Mineiras: Os Arturos". Juiz de Fora: Editora da UFJF/MINC, 1998. 
Arturos: Olhos do Rosário". Belo Horizonte: Mazza Edições, 1990 (textos sobre fotografias de Marcelo Pereira). 

Encontro com o Folclore
http://www.unicamp.br/folclore/folc6/festa_rosario.html

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

BRASÍLIA ESTRANGEIRA

Em Brasília,  75% dos habitantes não nasceram no Distrito Federal. Sua população adulta é originária de outros Estados ou países. A constatação é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2009, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com o Perfil dos Migrantes em  dez regiões metropolitanas brasileiras que concentram mais de 30% da população do país. 
O estudo, .divulgado hoje (6/10),  analisou a inserção social dos migrantes nacionais e estrangeiros residentes nestas regiões, que em média tem  26,9% dos habitantes  originários de outros estados. A grande São Paulo, que concentra 10% da população pesquisada,vem em segundo lugar com 45,5% de imigrantes. Porto Alegre possui o menor percentual, com apenas 6% de cidadãos estrangeiros vivendo na capital. 
No caso de Brasília, que como unidade da federação tem sua população analisada junto com todas as cidades satélites do Distrito Federal que há mais de 50 anos vem recebendo levas de migrantes, todos aqueles não nascidos na capital federal são considerados estrangeiros pela pesquisa.  São os chamados candangos, aqueles que vieram com a construção e a consolidação da capital federal, enquanto que os que nasceram no quadrilátero do Planalto Central são os "brasilienses da gema".
A partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2009, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os pesquisadores avaliaram questões como a origem, a ocupação, a renda e a escolaridade dessa população. O estudo traz ainda dados sobre os núcleos familiares e o acesso dos migrantes às tecnologias da informação e comunicação (TIC).

terça-feira, 4 de outubro de 2011

São Francisco com Arte












VII FESTIVAL BRASILIA DE CULTURA POPULAR - PROGRAMAÇÃO




VII FESTIVAL BRASILIA DE CULTURA POPULAR
 
Oficinas, Troca de Saberes e Grandes Atrações Culturais
Dia: 3 a 9 de outubro
Local: Complexo Cultural da Funarte
Classificação Livre
 
Confira os horários na programação:
 
3, 4 e 5/10 - segunda a quarta 
9h às 12h
Oficinas Gabi Guedes e Fanta Konatê

19h às 22h
Oficinas Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro
 
4 e 5/10 - terça e quarta
15h às 18h
Oficina Renata Rosa
 
6/10 - quinta-feira
Abertura na sede do grupo Seu Estrelo e o
Fuá do Terreiro com A Roda do grupo anfitrião; 
Nazareno Cia. de Bonecos; e uma
Roda de Afoxé – Alafin Oyó e convidados do
Oxum Pandá e Filhos de Gandhy
 
 
Dia 07/10 - sexta-feira
20h Helder Vasconcelos com Espetáculo Espiral, Brinquedo Meu (PE)
(Teatro Plínio Marcos, com retirada de Ingresso)
21h Mestre Zé do Pife e as Juvelinas (DF)
22h Filhos de Gandhy (BA)
23h Chegada do Calango Voador
Cortejo com Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro (DF)
0h Samba de Coco Raízes de Arcoverde (PE)
 
Dia 08/10 – sábado
15h Troca de Saberes no Teatro Plínio Marcos
17h Grito de Liberdade (DF)
18h Badia Medeiros (DF)
19h Boi de Mestre Teodoro (DF)
20h Orquestra Marafreboi (DF)
21h Maracatu Piaba de Ouro (PE)
22h Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto (CE)
0h Renata Rosa (PE)
01h Encontro de Coquistas:
Aurinha do Coco (PE)
Ana Lúcia do Coco do Amaro Branco (PE)
Martinha do Coco (DF)
 
Dia 09/10 - domingo
17h  Mamulengo Presepada (DF)
18h Maracatu Patrocínio do Brejão (SE)
19h Afoxé Oxum Pandá (PE)
20h Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro - Sambada (DF)
21h Siba e a Fuloresta (PE)