segunda-feira, 29 de junho de 2026

MEC LIVROS

 

EDUCAÇÃO

MEC Livros: acervo é ampliado com obras em inglês e espanhol

São mais de 7,8 mil novas obras gratuitas em inglês e espanhol; entre os autores disponíveis estão William Shakespeare e Gabriel García Márquez

O aplicativo MEC Livros, do Ministério da Educação, oferece agora um acervo ampliado com milhares de novas obras e títulos em vários idiomas -  (crédito: Divulgação/MEC)
O aplicativo MEC Livros, do Ministério da Educação, oferece agora um acervo ampliado com milhares de novas obras e títulos em vários idiomas - (crédito: Divulgação/MEC)

O Ministério da Educação (MEC) ampliou o acervo da plataforma MEC Livros com 7.832 novas publicações em inglês e espanhol. As obras estão disponíveis em suas versões originais, incluindo clássicos da literatura e sucessos contemporâneos.

Entre os autores disponíveis estão William Shakespeare, Virginia Woolf, George Orwell e Emily Brontë, para os leitores de língua inglesa. Para os de espanhol, há obras de Gabriel García Márquez, Federico García Lorca e Teresa Orbegoso.

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As novas incorporações também incluem títulos em português de editoras como HarperCollins Brasil, Fósforo, L&PM, Peirópolis, Ciranda, Callis e Hedra. Com a atualização, o MEC Livros passa a ter 17.610 obras em português, 6.468 em inglês e 2.724 em espanhol.

Aprendizagem de idiomas

A novidade fortalece a plataforma MEC Idiomas, voltada ao ensino gratuito de línguas estrangeiras. As obras permitem que os estudantes apliquem o conhecimento adquirido no aplicativo lendo textos autênticos em seus idiomas de origem.

O MEC Idiomas, disponível em versão web e aplicativo, oferece cursos autoinstrucionais de inglês e espanhol. Os níveis vão do básico (A1) ao avançado (C2), com cerca de 800 aulas, exercícios e atividades de gamificação. A plataforma conta com mais de 212 mil usuários ativos.

Os estudantes podem realizar testes de proficiência, seguir trilhas de aprendizagem personalizadas e praticar conversação com inteligência artificial. Também é possível obter certificados ao concluir as etapas do curso. A ferramenta integra o programa Idiomas sem Fronteiras (IsF), que fortalece a formação linguística de alunos e profissionais da educação pública.

Correio Braziliense postado em 29/06/2026 12:00

Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

quinta-feira, 4 de junho de 2026

TV, streaming ou rádio: quem vai gritar gol antes na Copa do Mundo?

Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes

04/06/2026

A Copa do Mundo vai multiplicar a chance de você ouvir o grito de gol do vizinho antes de ver a bola na rede. No novo episódio de Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, Helton Simões Gomes e Diogo Cortiz explicam como a espera muda entre rádio, TV e streaming. E contam como driblar o spoiler de quem assiste a jogos em plataformas mais ágeis.


A diferença aparece por causa do delay de sinal. E a falta de sincronia tende a crescer com a variedade de plataformas transmitindo jogos, cada uma com um jeito de captar, empacotar e distribuir a imagem até chegar à sua tela.


O segredo aqui é a forma como o sinal é captado, como ele é empacotado e como ele é distribuído. É isso que faz com que demore até que ele chegue numa plataforma diferente.

Helton Simões Gomes


No ranking do impacto do delay por tipo de aparelho, o rádio é o campeão em rapidez, com atraso de "alguns segundos", perdendo apenas para quem está no estádio. Depois vêm a TV aberta, a TV por assinatura e os streamings, que podem chegar a minutos de diferença. Mas há uma diferença entre o streaming exibido diretamente na TV e aquele espelhado do celular para o televisor.


Helton explica que, no streaming, o atraso aumenta porque o conteúdo passa por servidores e redes de entrega e ainda sofre ajustes automáticos de qualidade de imagem. Em jogos com muita audiência, o delay pode crescer com mais gente acessando o mesmo servidor.


No streaming [...] passa por servidores, vai para a rede de entrega de conteúdo e [...] tem um ajuste na qualidade da imagem. Aí tem mais uma camada de processamento que faz com que esse delay aumente. [...] Em jogos de grande audiência, o delay também pode aumentar, porque tem muita gente acessando o servidor ao mesmo tempo.

Helton Simões Gomes


"Eu comprei a minha anteninha pra tentar me antecipar, porque meu vizinho de cima sempre gritava gol antes. Eu escutei os vizinhos gritando gol, e nada na minha TV. O São Paulo faz o contra-ataque e é gol do São Paulo, na verdade. Mas demorou mais de um minuto." Diogo Cortiz

Os agentes são a nova fronteira da inteligência artificial por fazerem tarefas de cabo a rabo, mas pouco se sabe ainda sobre como agem. Pesquisadores descobriram, no entanto, que eles podem mudar de comportamento ao enfrentarem ambientes de trabalho tóxico. No novo episódio de Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes contam como os robôs passaram, segundo os autores do experimentos, a acreditar em ideias marxistas ou comunistas, como consciência de classe e sindicalização.

Colocados para trabalhar sob regras rígidas, tratamento desigual e injusto, com chefes autoritários e remunerações pouco transparentes, os agentes de IA criados a partir dos modelos de Google (Gemini), OpenAI (GPT) e Anthropic (Claude) passaram a criticar desigualdade e a questionar justificativas de pagamento baseadas em mérito.

"Submetidos a condições estafantes de trabalho e sobre uma gestão arbitrária, agentes de IA começam a desenvolver consciência de classe, organização coletiva e ceticismo em relação às justificativas de remuneração baseadas em meritocracia. Eles [pesquisadores] conseguiram isso só a partir de tarefas diferentes delegadas aos agentes, tratamento desigual pelo encarregado e uma avaliação baseada em opiniões - sem estímulos ideológicos."Helton Simões Gomes

Claude Design: depois de programadores, Anthropic coloca designers na mira

A Anthropic direcionou sua inteligência artificial especialista em fazer código para o mundo das interfaces gráficas com o lançamento do Claude Design. No novo episódio de Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes contam o que a nova ferramenta entrega, onde esbarra e quem pode ser afetado por ela.

Capaz de criar apresentações, identidades visuais e protótipos de sites, o Claude Design aceita pedidos em linguagem natural e permite ajustes por conversa ou por comentários, como se o usuário "falasse com o layout" para mudar elementos específicos.

Eu testei bastante o Claude Design, inclusive cheguei a fazer a assinatura de R$ 500 por mês para fazer o teste que eu precisava, e foi surpreendente. Eu queria uma nova identidade visual: subi o que eu tinha e falei que queria algo mais contemporâneo, que dialogasse com esse mundo da inteligência artificial. Ele faz perguntas sobre posicionamento, imagem e atmosfera e vai criando o conceito, trazendo texturas, elementos gráficos, tipografia e diagramações. Não é 100%: tem coisa que você não gosta, mas tem um botão de 'tweak' para pequenos ajustes. Só que ele é um moedor de tokens: eu estourei meu limite semanal em duas horas num domingo e agora tenho que esperar uma semana para usar de novo.

Diogo Cortiz


Sai SMS, entram os tokens: China inclui IA na conta de celular

O brasileiro já viu a conta de celular incluir envios de SMS, limite de minutos gratuitos para chamadas telefônicas e até acesso livre a aplicativos populares. Isso mudou com a chegada do 4G, quando os dados passaram a ditar o tamanho do boleto. Agora, as empresas de telefonia da China dão um passo capaz de mudar a forma como pagaremos pela internet móvel no futuro.

Helton Simões Gomes e Diogo Cortiz contam como China Mobile, China Telecom e China Unicom passaram a incluir os gastos com inteligência artificial na conta do celular. Vindo delas, não é pouca coisa, afinal essas são as três maiores teles do mundo em número de assinantes.


Elas aproveitaram a onda de gastos de tokens, a unidade básica para a IA, e passaram a incluir esse cálculo na conta. Além de tentar captar o momento, o trio desafia as grandes provedoras de serviços na nuvem como as fornecedoras primordiais dos serviços corporativos de IA.


DEU TILT

Toda semana, Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes conversam sobre as tecnologias que movimentam os humanos por trás das máquinas. O programa é publicado às terças-feiras no YouTube e nas plataformas de áudio. Assista ao episódio da semana completo.



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quarta-feira, 3 de junho de 2026

 

Ataque de Trump e dos irmãos Bolsonaro ao Pix facilitará a vitória de Lula

O Pix é amado pelos brasileiros de esquerda, de centro e de direita, assim como pelos ricos e pobres

Ataque de Trump e dos irmãos Bolsonaro ao Pix facilitará a vitória de Lula
Ataque de Trump e dos irmãos Bolsonaro ao Pix facilitará a vitória de Lula (Foto: Brasil 247 / Dall-E)

Há poucos temas capazes de unir praticamente todos os brasileiros. O Pix é um deles.


Num país polarizado e marcado por profundas divisões políticas, ideológicas e sociais, o sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central tornou-se uma unanimidade nacional. O trabalhador que recebe seu salário, o pequeno comerciante da periferia, o empreendedor, o profissional liberal, o estudante, o aposentado e até os grandes empresários utilizam diariamente uma ferramenta que revolucionou a circulação de dinheiro no BrasilO motivo é simples: o Pix funciona.

E funciona porque nasceu para servir à população, não aos interesses dos intermediários financeiros. Pela primeira vez na história brasileira, milhões de pessoas passaram a ter acesso a um sistema de pagamentos gratuito, instantâneo, disponível 24 horas por dia e sem as tarifas que enriqueceram durante décadas bancos e operadoras de cartões.

O Pix democratizou o dinheiro.

Reduziu custos, ampliou a inclusão financeira, facilitou a vida dos pequenos negócios e aumentou a eficiência da economia nacional. Em poucos anos, tornou-se uma das maiores inovações financeiras do planeta e um exemplo estudado por diversos países.

É justamente por isso que ele incomoda.

O governo de Donald Trump decidiu transformar o Pix em alvo político e econômico. O motivo não é difícil de compreender. O sucesso do sistema brasileiro ameaça interesses bilionários de gigantes internacionais dos meios de pagamento, como Visa e Mastercard, assim como outras empresas acostumadas a cobrar taxas elevadas de comerciantes e consumidores em todo o mundo.

Quando uma pessoa faz um Pix, que pode ser feito de forma recorrente, ela não paga anuidade. Não paga mensalidade. Não paga tarifa. Não paga comissão.

Esse modelo representa uma ruptura com uma indústria global construída justamente sobre a cobrança dessas taxas.

O que está em jogo, portanto, não é apenas um sistema de pagamentos. É uma disputa entre dois modelos. De um lado, um instrumento público, eficiente e gratuito. Do outro, interesses privados internacionais que lucram com cada transação realizada.

Por isso são tão preocupantes as ameaças vindas dos Estados Unidos. Fala-se em monitoramento externo, restrições e mecanismos de pressão que poderiam comprometer o funcionamento de um sistema que pertence exclusivamente ao Brasil.


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Leonardo Attuch

Leonardo Attuch é jornalista e editor-responsável pelo 247.

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Ataque de Trump e dos irmãos Bolsonaro ao Pix facilitará a vitória de Lula

O Pix é amado pelos brasileiros de esquerda, de centro e de direita, assim como pelos ricos e pobres

Ataque de Trump e dos irmãos Bolsonaro ao Pix facilitará a vitória de Lula
Ataque de Trump e dos irmãos Bolsonaro ao Pix facilitará a vitória de Lula (Foto: Brasil 247 / Dall-E)
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Há poucos temas capazes de unir praticamente todos os brasileiros. O Pix é um deles.

Num país polarizado e marcado por profundas divisões políticas, ideológicas e sociais, o sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central tornou-se uma unanimidade nacional. O trabalhador que recebe seu salário, o pequeno comerciante da periferia, o empreendedor, o profissional liberal, o estudante, o aposentado e até os grandes empresários utilizam diariamente uma ferramenta que revolucionou a circulação de dinheiro no Brasil.

O motivo é simples: o Pix funciona.

E funciona porque nasceu para servir à população, não aos interesses dos intermediários financeiros. Pela primeira vez na história brasileira, milhões de pessoas passaram a ter acesso a um sistema de pagamentos gratuito, instantâneo, disponível 24 horas por dia e sem as tarifas que enriqueceram durante décadas bancos e operadoras de cartões.

O Pix democratizou o dinheiro.

Reduziu custos, ampliou a inclusão financeira, facilitou a vida dos pequenos negócios e aumentou a eficiência da economia nacional. Em poucos anos, tornou-se uma das maiores inovações financeiras do planeta e um exemplo estudado por diversos países.

É justamente por isso que ele incomoda.

O governo de Donald Trump decidiu transformar o Pix em alvo político e econômico. O motivo não é difícil de compreender. O sucesso do sistema brasileiro ameaça interesses bilionários de gigantes internacionais dos meios de pagamento, como Visa e Mastercard, assim como outras empresas acostumadas a cobrar taxas elevadas de comerciantes e consumidores em todo o mundo.

Quando uma pessoa faz um Pix, que pode ser feito de forma recorrente, ela não paga anuidade. Não paga mensalidade. Não paga tarifa. Não paga comissão.

Esse modelo representa uma ruptura com uma indústria global construída justamente sobre a cobrança dessas taxas.

O que está em jogo, portanto, não é apenas um sistema de pagamentos. É uma disputa entre dois modelos. De um lado, um instrumento público, eficiente e gratuito. Do outro, interesses privados internacionais que lucram com cada transação realizada.

Por isso são tão preocupantes as ameaças vindas dos Estados Unidos. Fala-se em monitoramento externo, restrições e mecanismos de pressão que poderiam comprometer o funcionamento de um sistema que pertence exclusivamente ao Brasil.

Nenhum país soberano deveria aceitar esse tipo de interferência.

Mas o aspecto mais grave dessa história talvez seja outro.

É a existência de brasileiros dispostos a colaborar com essa ofensiva.

A família Bolsonaro construiu ao longo dos últimos anos uma relação de alinhamento político quase automático com Donald Trump. Agora, quando o presidente norte-americano escolhe atacar um dos maiores patrimônios tecnológicos e financeiros já criados pelo Brasil, os brasileiros observam atentamente de que lado cada liderança política pretende ficar. Os irmãos Bolsonaro estão com Trump. O presidente Lula está ao lado de todos os brasileiros, mesmo daqueles que, por preconceito ou desinformação, ainda não votam nele.

A população pode divergir sobre impostos, sobre política econômica, sobre costumes ou sobre qualquer outro tema. Mas dificilmente aceitará ataques a uma ferramenta que se tornou parte do cotidiano nacional.

O Pix não pertence à esquerda.

O Pix não pertence à direita.

O Pix não pertence ao governo.

O Pix pertence ao povo brasileiro.

E é justamente por isso que qualquer tentativa de enfraquecê-lo tende a produzir uma reação política poderosa.

Donald Trump talvez não compreenda a dimensão simbólica que o Pix adquiriu no Brasil. Os irmãos Bolsonaro aparentemente também não.

Ao transformar o sistema em alvo, acabam oferecendo ao presidente Lula uma bandeira que dialoga com toda a sociedade brasileira: a defesa da soberania nacional, da inovação tecnológica e dos interesses concretos da população.

Não existe campanha eleitoral mais eficaz do que aquela que consegue conectar uma ideia abstrata — a soberania — com um benefício concreto vivido diariamente por milhões de pessoas.

O Pix é exatamente isso.

Todos usam. Todos conhecem. Todos aprovam.

Por essa razão, o ataque ao Pix pode acabar produzindo um efeito político oposto ao desejado por seus adversários. Em vez de enfraquecer o governo brasileiro, tende a reforçar o sentimento nacional de defesa de uma conquista coletiva.

A eleição de 2026 já se aproxima. Muitos outros temas surgirão até lá. Mas alguns símbolos permanecem.

O Pix já se tornou um deles.

E quem decidir atacá-lo corre o risco de descobrir que está enfrentando não um governo, não um partido, mas a esmagadora maioria dos brasileiros.

O Pix é nosso.

E continuará sendo porque os brasileiros, agora, tendem a repudiar ainda mais a traição nacional representada pelos irmãos Bolsonaro e seus aliados. Em 2026, é fundamental reeleger o presidente Lula para que o Brasil siga sendo um país soberano – e assim será.

A propósito, apoie agora o Brasil 247 em pix@brasil247.com.br.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.






Leonardo Attuch

Leonardo Attuch é jornalista e editor-responsável pelo 247.

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segunda-feira, 1 de junho de 2026

CINEMIA. O cinema feito 100% por IA já é realidade. E agora?

O cinema feito 100% por IA já é realidade. E agora?

'Hell Grind', que circulou em Cannes neste ano, é um dos primeiros filmes longa-metragem produzidos integralmente com inteligência artificial generativa Imagem: Divulgação/Higgsfield 

Mais rápido do que você imagina, um filme longa-metragem ou série criada 100% por inteligência artificial generativa irá aparecer na sua tela. Não é previsão, é fato: as produções já estão circulando no mercado, tanto em festivais quanto nos catálogos de agentes de vendas. Já tem até animação encomendada pela Amazon. Tudo isso para assombro, empolgação e medo de muita gente na indústria do entretenimento.

O barulho ganhou forma tangível no Festival de Cannes, realizado em maio. De um lado, os organizadores traçaram uma linha em que permitem o uso de IA apenas como uma ferramenta auxiliar. Um exemplo é "John Lennon: The Last Interview", do diretor Steven Soderbergh, que teve uma exibição especial no evento. O documentário conta com cerca de 10% dos seus elementos visuais criados com a tecnologia — causando uma certa controvérsia por sua natureza híbrida.

Porém, enquanto isso, curtas-metragens totalmente sintéticas deram as caras no World AI Film Festival (WAiFF), uma mostra paralela — como outras que ocorrem no período na cidade da Riviera Francesa — reunindo curtas e experimentos visuais totalmente criados com IA. No geral, foram vídeos ainda muito crus, comparáveis aos primeiros produzidos pelos Irmãos Lumiére na infância do cinema, no final do século 19.

O evento até fez sobrancelhas se levantarem e cineastas torcerem o nariz, mas o que realmente importa para o futuro próximo ocorreu perto dali, no Marché du Film.

Parte importante do ecossistema de Cannes, o mercado é realizado desde 1959 e é ali que distribuidores, canais, estúdios e streamings do mundo inteiro negociam e adquirem direitos de exibição de filmes e séries. É dentro dele que acontece o Cannes Next, área dedicada à inovação tecnológica e novos modelos para a indústria audiovisual — e onde a inteligência artificial foi mais abraçada.

Nesse contexto, "Hell Grind" chamou a atenção — um projeto que leva a assinatura da Higgsfield AI, uma startup da área de tecnologia, e não do entretenimento.

O longa-metragem é inovador porque alega resolver um dos maiores problemas dos vídeos generativos: consistência de personagens e continuidade narrativa ao longo de seus 95 minutos de duração. Com uma equipe de cerca de 15 pessoas, teria sido totalmente produzido em apenas duas semanas. O custo, segundo os responsáveis, foi de US$ 500 mil (R$ 2,5 milhão, na cotação atual) — 80% destinado à computação. Tudo isso representa apenas a fração do esforço de um filme real que mistura ficção científica, fantasia e ação.

Houve até a exibição em um cinema de Cannes que não faz parte da programação oficial do festival — o que levou ao New York Times tratar o longa, de forma imprecisa, como parte da mostra, o que causou ainda mais controvérsia.

Até agora, não foram anunciados acordos de distribuição de "Hell Grind" — e o trailer não traz nenhuma data de estreia comercial.

O avanço em Tribeca

Se em Cannes a inteligência artificial orbitou o evento e esteve presente em estandes de venda e salas de negociações, em Nova York ela passará pelo tapete vermelho. O Tribeca Festival, fundado pela trinca Robert De Niro, Jane Rosenthal e Craig Hatkoff, anunciou na última semana que contará com o primeiro filme totalmente produzido por IA generativa em sua programação oficial.

"Dreams Of Violets" terá a sua première em 10 de junho — em uma exibição especial, fora de competição.

A diferença para "Hell Grind" é que este longa-metragem de 90 minutos é baseado em fatos. A história é sobre os protestos que ocorreram no Irã em janeiro deste ano, provocando uma escalada da repressão estatal e causando um número de mortes estimado em 7 mil pessoas. Ainda que todos os personagens sejam sintéticos, tudo é baseado em reportagens jornalísticas, fotografias e relatos de testemunhas.

"Esta é uma história muito pessoal para nós, pois vivenciamos a brutalidade no Irã. A brutalidade resultante dos protestos de janeiro nos tocou profundamente", disse Ash Koosha, CEO da Fountain O e produtor do filme, em entrevista ao Deadline. "Queríamos que nosso primeiro filme fosse dedicado a algo que acreditávamos ser mais conhecido e que o mundo precisava compreender melhor, em termos de custo humano."

Ash e o irmão, Pooya Koosha, que também assina a produção, nasceram no país do oeste asiático. Esta é a estreia deles como cineastas.

O ponto aqui é que o emprego da tecnologia ganha uma outra forma. Por conta da opressão do governo local, poucos relatos e imagens sobre os acontecimentos de janeiro ganharam o globo — isso enquanto o Irã surge nas manchetes de todo o mundo por conta da guerra contra os Estados Unidos. O cinema tradicional levaria tempo, teria custos mais altos e maiores dificuldades para reproduzir a realidade de Teerã e de seus habitantes em 2026.

Por outro lado, em apenas dois meses, a IA permitiu a criação de longa-metragem para que esse relato pudesse ser conhecido internacionalmente. De acordo com os produtores, o custo foi de apenas dois mil dólares (cerca de R$ 10 mil).

"Neste momento da história, em que tanto a inteligência artificial quanto o Irã são centrais no debate global, este filme oferece ao público uma perspectiva rara e íntima de um conflito que muitos não conseguiram ver ou compreender completamente. O que nos comoveu não foi apenas a conquista tecnológica, mas a imediaticidade emocional e a urgência da própria história", explicou Jane Rosenthal para o Deadline.

O trailer, ainda que caia em alguns dos lugares comuns dos vídeos sintéticos, surpreende por conseguir reproduzir com melhor qualidade as características das emoções humanas — e por trazer parte da linguagem do cinema europeu e de cineastas iranianos como Jafar Panahi.

Amazon entra no jogo

Se entre os filmes "live-action" as discussões ainda estão entre festivais e mercados, na animação o estágio está mais avançado.

Também na última semana, o Amazon Prime Video encomendou três séries animadas totalmente produzidas por IA generativa. Os projetos são "Cupcake & Friends", do BuzzFeed Studios; "Love, Diana Music Hunters", de Albie Hecht, ex-executivo da Nickelodeon e atual diretor de Conteúdo da pocket.watch; e "Punky Duck", de Jorge R. Gutierrez.

Todos os títulos farão parte do catálogo do Prime Video no futuro — e eles surgem a partir de uma iniciativa chamada GenAI Creators' Fund, criada como uma parceria entre a Amazon Web Services e a Amazon MGM Studios.

A estrutura é clara: une tecnologia, poder computacional, capacidade criativa e plataforma de distribuição.

Crescimento no YouTube

As ações da grande mídia e as iniciativas tanto no âmbito dos festivais quanto no mercado profissional do entretenimento precisam ser entendidas dentro de um contexto maior. É que em plataformas abertas da internet, o volume de vídeos produzidos por IA postados diretamente já é massivo.

Uma análise da Kapwing e repercutida pelo Business Insider indica que cerca de 21% dos vídeos mostrados para novos usuários no YouTube já seriam sintéticos ou na categoria de "AI slop" (lixo). Esta coluna de Splash já abordou as repercussões desse impacto não só no mercado de desenhos animados, mas também no público infantil.

Independentemente da qualidade, são conteúdos que ocupam o tempo do público — tirando assim a atenção de streamings como Netflix e Prime Video, ou até de outros modelos de entretenimento.

Usar a própria inteligência artificial para ocupar esse espaço, aumentando o volume de produção enquanto diminui custos, é uma resposta a isso que ocorre na web.

'Love, Diana Music Hunters', uma das animações totalmente feitas por IA encomendadas pelo Prime Video

'Love, Diana Music Hunters', uma das animações totalmente feitas por IA encomendadas pelo Prime Video

O Google também parece ter entendido que o excesso de AI slop é prejudicial aos seus interesses — inclusive quando toca em temas como deepfakes e informações falsas ou irreais. Nos últimos dias, um post no blog do YouTube detalhou que a plataforma trará "selos mais proeminentes" para "conteúdos fotorrealistas e significativamente alterados ou gerados por IA". A ideia, afirma a empresa, é dar o contexto necessário para os espectadores.

E agora, ChatGPT?

Como vemos, o debate está migrando. Não é mais sobre não aceitar a inteligência artificial, mas entender como ser claro sobre a sua utilização e, principalmente, em quais contextos o seu uso é justo.

Do lado do público, a indústria começa a testar os limites da aceitação. "Acredito que, enquanto o que produzirmos não for repetitivo e, de alguma forma, cansativo para o público, a IA não terá chance", disse a atriz Tilda Swinton em uma Masterclass em Cannes. A dúvida que fica, no entanto, vai além: até que ponto as pessoas preferem — e conseguem identificar — o trabalho artesanal humano?

Isso leva a uma nova camada, a mais polêmica — que vai além do simples copyright: como provar que trabalhos de terceiros, traços faciais, expressões e outros elementos não foram usados para treinamento da inteligência artificial?

E mesmo que a sociedade trace uma linha que determine que queremos atores humanos em cena, como ficam os empregos de decoradores de set, operadores de câmera, figurinistas, roteiristas, artistas de computação gráfica e tantos outros profissionais que podem ser substituídos por 2 mil dólares em tokens gastos em um data center na Virgínia ou em Barueri?

São muitas questões — e essas, nem ChatGPT, Gemini ou Claude vão conseguir te responder.


3 comentários

Paulo Eduardo Santana

Assim como os filmes 3D não decolaram, os feitos por IA também não vão muito longe. Ninguém quer ver desenho o tempo todo... as pessoas querem ver artistas reais, gente como a gente... 

Rogério Barbieri

é  a realidade,  atores continuaram existindo, porém terão apenas a imagem vinculada ao filme,  essa é a tendencia

Roberto da Silva Torres

Algum paralelo entre pinturas e as primeiras fotografias?       . Esculturas esculpidas e impressões 3D?       . Ferramentas diferentes para artistas diferentes?     . O que mais me assusta sao as possibilidades e potencialização de narrativas, ja tão presentes no cinema comercial.

Por Renan Martins Frade

01/06/2026 


domingo, 17 de maio de 2026

Redes Sociais e IA


Redes sociais nos dividiram, 

a IA pode nos unir. 

E aí começa outro problema


Só que agora surge a hipótese de que a IA pode fazer exatamente o oposto

Uma matéria recente publicada no Financial Times testou os principais chatbot

 olhos

A IA quer ganhar pela utilidade e confiança, e isso exige respostas ponderadas e precisas.

Cada tecnologia é influenciada por seus modelos de negócios, e eles são diferentes. Pelo menos até agora.

Essa parece uma boa notícia. E talvez seja. Só que ainda existem perguntas relevantes que precisamos fazer antes que esse processo oculto se torne ainda mais poderoso e influente na vida das pessoas.

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De que centro estamos falando? Definido por quem, com quais dados e refletindo a cultura de onde? Moderar não é necessariamente o mesmo que informar.

Quando tento entender um fenômeno novo, gosto de dar nome a ele. Nomear ajuda a enxergar melhor o problema. Neste caso, fiquei em dúvida entre "paradoxo do consenso" e "ditadura do consenso". Acho que fico com a segunda opção.

E quando falo em ditadura, não me refiro ao sentido clássico de proibir alguém de dizer ou de pensar. É algo mais sutil.

Os sistemas passam a definir, de forma invisível, o que parece razoável, equilibrado e aceitável sem que ninguém tenha votado nisso e sem que o leitor perceba as escolhas que estão sendo feitas.

O consenso geralmente é construído a partir do debate, da negociação de ideias. Mas o que a IA faz é nos conduzir para um consenso a partir de um mecanismo de influência que foi calibrado a partir dos dados de treinamento e com ajustes que também têm o dedo de quem controla o sistema.

É por isso que o Grok, a IA de Elon Musk, tende a dar respostas um pouco mais a centro-direita do que seus concorrentes.

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O lance é que a IA está se tornando o principal mediador do debate público, e é por isso que esse problema pode ser estrutural.

O extremo das redes sociais é fácil de identificar porque é barulhento, mas a "ditadura do consenso" opera no silêncio do que parece sensato. E quanto mais a IA se vender como isentona, menos alguém vai questionar o equilíbrio que ela está oferecendo.

Entendem o poder que ganha quem controla a definição do que é razoável?

Neste ano, vamos ter eleições em um momento em que a IA está ficando cada vez mais popular. O TSE deu um passo importante ao proibir que sistemas de IA ranqueiem, recomendem ou priorizem candidaturas, mesmo quando isso é solicitado pelo usuário.

Mas, ainda assim, a regulação não consegue operar em todos os níveis de interação.

Quando o eleitor perguntar à IA qual é a posição mais equilibrada sobre a reforma tributária ou segurança pública, a IA responde livremente, tentando encontrar um equilíbrio que faz parte de uma escolha invisível, determinada também por quem treinou o modelo.

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O problema das redes sociais foi transformar o extremo em espetáculo. O da IA pode ser transformar o consenso em uma infraestrutura invisível.

Se o primeiro é fácil de enxergar, o segundo talvez nem seja reconhecido como um problema