domingo, 17 de maio de 2026

Redes Sociais e IA


Redes sociais nos dividiram, 

a IA pode nos unir. 

E aí começa outro problema


Só que agora surge a hipótese de que a IA pode fazer exatamente o oposto

Uma matéria recente publicada no Financial Times testou os principais chatbot

 olhos

A IA quer ganhar pela utilidade e confiança, e isso exige respostas ponderadas e precisas.

Cada tecnologia é influenciada por seus modelos de negócios, e eles são diferentes. Pelo menos até agora.

Essa parece uma boa notícia. E talvez seja. Só que ainda existem perguntas relevantes que precisamos fazer antes que esse processo oculto se torne ainda mais poderoso e influente na vida das pessoas.

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De que centro estamos falando? Definido por quem, com quais dados e refletindo a cultura de onde? Moderar não é necessariamente o mesmo que informar.

Quando tento entender um fenômeno novo, gosto de dar nome a ele. Nomear ajuda a enxergar melhor o problema. Neste caso, fiquei em dúvida entre "paradoxo do consenso" e "ditadura do consenso". Acho que fico com a segunda opção.

E quando falo em ditadura, não me refiro ao sentido clássico de proibir alguém de dizer ou de pensar. É algo mais sutil.

Os sistemas passam a definir, de forma invisível, o que parece razoável, equilibrado e aceitável sem que ninguém tenha votado nisso e sem que o leitor perceba as escolhas que estão sendo feitas.

O consenso geralmente é construído a partir do debate, da negociação de ideias. Mas o que a IA faz é nos conduzir para um consenso a partir de um mecanismo de influência que foi calibrado a partir dos dados de treinamento e com ajustes que também têm o dedo de quem controla o sistema.

É por isso que o Grok, a IA de Elon Musk, tende a dar respostas um pouco mais a centro-direita do que seus concorrentes.

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O lance é que a IA está se tornando o principal mediador do debate público, e é por isso que esse problema pode ser estrutural.

O extremo das redes sociais é fácil de identificar porque é barulhento, mas a "ditadura do consenso" opera no silêncio do que parece sensato. E quanto mais a IA se vender como isentona, menos alguém vai questionar o equilíbrio que ela está oferecendo.

Entendem o poder que ganha quem controla a definição do que é razoável?

Neste ano, vamos ter eleições em um momento em que a IA está ficando cada vez mais popular. O TSE deu um passo importante ao proibir que sistemas de IA ranqueiem, recomendem ou priorizem candidaturas, mesmo quando isso é solicitado pelo usuário.

Mas, ainda assim, a regulação não consegue operar em todos os níveis de interação.

Quando o eleitor perguntar à IA qual é a posição mais equilibrada sobre a reforma tributária ou segurança pública, a IA responde livremente, tentando encontrar um equilíbrio que faz parte de uma escolha invisível, determinada também por quem treinou o modelo.

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O problema das redes sociais foi transformar o extremo em espetáculo. O da IA pode ser transformar o consenso em uma infraestrutura invisível.

Se o primeiro é fácil de enxergar, o segundo talvez nem seja reconhecido como um problema

sábado, 25 de abril de 2026

Congresso Nacional do PT

 POLÍTICA

8º CONGRESSO NACIONAL

PT coloca comunicação no centro da estratégia eleitoral de 2026

Partido aposta em narrativa digital e defesa do legado de governo para enfrentar os adversários

Edinho Silva, presidente do PT -  (crédito: Divulgação/PT)
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Edinho Silva, presidente do PT - (crédito: Divulgação/PT)

A estratégia eleitoral do Partido dos Trabalhadores para 2026, um dos temas discutidos durante o 8º Congresso Nacional do partido é a comunicação, eixo considerado decisivo pela direção da legenda. O PT, já vem, inclusive, investindo fortemente neste mês de abril em publicidades na redes sociais, com vídeos que defendem a soberania, o pix, entre outros temas.

Em meio a um ambiente político marcado por polarização e desinformação, o partido busca estruturar uma rede de divulgação capaz de fortalecer a imagem do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva  e sustentar a disputa eleitoral nos próximos meses. O Correioconversou com o presidente do PT, Edinho Silva, que revelou que o desafio central é fazer com que as ações do governo cheguem à população de forma clara.


Ele destacou inúmeras ações do governo e disse que é preciso fortalecer ainda mais a comunicação institucional, para que a informação correta chegue a todos. “Nós acreditamos muito que a verdade prevaleça diante da mentira, que a verdade prevaleça diante das fake news, e que a gente possa, efetivamente, criar uma grande rede de divulgação dos feitos do governo do presidente Lula”, declarou. Segundo ele, “é como se tivesse uma névoa encobrindo os feitos do governo”.

PT aposta em narrativa digital e defesa do legado de governo para enfrentar os adversários.
Um manifesto político consolidando as diretrizes dos próximos passos do partido será anunciado neste domingo, último dia de evento.(foto: Vanilson Oliveira)

A aposta da sigla envolve ampliar a presença digital e transformar resultados de gestão em narrativa política. Edinho cita como exemplo os investimentos públicos: “Nós já batemos R$ 975 bilhões de investimentos do PAC e, na virada do semestre, teremos passado de um trilhão. Não tem uma cidade de médio e grande porte no Brasil que não tenha uma obra do governo”. Para o dirigente, o desafio não é apenas executar políticas, mas garantir que elas sejam percebidas pela população.

Esse direcionamento também influenciou a organização do congresso partidário, que ocorre neste fim de semana. A direção decidiu retirar da pauta temas internos considerados sensíveis, como mudanças no estatuto, e priorizar debates sobre cenário político, estratégia eleitoral e propostas programáticas. A avaliação é de que discussões internas poderiam gerar ruídos em um momento de preparação para a disputa.

Além da comunicação, o partido pretende estruturar o discurso eleitoral em torno da defesa da democracia, da soberania e de propostas sociais e econômicas. Entre os temas que devem aparecer na campanha estão reforma política, combate à desigualdade, transição energética e mudanças no mundo do trabalho. “Nós queremos não só defender o que foi feito, mas dizer para o Brasil qual é o país que queremos construir”, afirmou Edinho.

Um manifesto político consolidando as diretrizes dos próximos passos do partido será anunciado neste domingo, último dia de evento. Ainda existe uma expectativa da participação presencial do presidente Lula, que passou por dois procedimentos médicos nesta sexta-feira (24), em São Paulo. Ele foi aconselhado pelos médicos a descansar. No encerramento estão confirmadas as presenças do governador do Ceará, Elmano de Freitas e dos ex-ministros da Fazenda, Fernando Haddad e da Educação, Camilo Santana.


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postado em 25/04/2026 19:16 / atualizado em 25/04/2026