segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Democracia e Comunicação

Franklin Martins: Constituição está do lado de quem quer democratizar a comunicaçãoPDFImprimirE-mail
Escrito por Felipe Prestes, Sul 21, sexta-feira, 04 de novembro de 2011   
Seg, 07 de Novembro de 2011 01:39
Cumprir uma série de aspectos previstos pela Constituição de 1988, até hoje negligenciados, seria um enorme passo rumo à democratização dos meios de comunicação. Este foi o entendimento unânime entre os seis palestrantes do painel “Regulação e Liberdade de Expressão”, realizado na tarde desta quinta-feira (3), na Escola Superior da Magistratura (ESM), parte da programação do seminário Democratização da Mídia. Entendimento resumido no gesto do ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social Franklin Martins, que brandiu a Constituição ao final de sua fala, ressaltando que para democratizar a comunicação não é preciso defender nada que não esteja previsto pela Carta Magna.


O ex-ministro contou que o jurista Fabio Konder Comparato tem uma ação no STF contra o Congresso, pela omissão dos parlamentares que até hoje não regulamentaram a maior parte dos trechos da Constituição que dizem respeito à comunicação. Já se vão mais de 20 anos. Franklin Martins também jogou duro com os grandes veículos que tentam “interditar o debate” sobre a regulação da mídia.

“Como as leis não são cumpridas, existe um ambiente de vale-tudo. Não querem que haja um debate aberto, público, transparente sobre comunicação”, disse. Esta interdição do debate, feita geralmente com a imprensa acusando quem luta pela regulação de tentativa de censura, também foi fortemente criticada por ele. “Dizer que regulação é censura é conversa mole, para boi dormir. Sou visceralmente contra a censura, lutei contra a ditadura do início ao fim e me orgulho muito disto. Enquanto alguns aceitaram a ditadura, aceitaram até mesmo a autocensura. E quando o povo pediu democracia, se insurgiram contra o povo”.

Interdição do debate
Franklin Martins ilustrou dois momentos em que seu trabalho como ministro foi descontextualizado por meios de comunicação, para que não houvesse um debate claro sobre a regulação da mídia. Um deles foi durante a 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom). Naquela ocasião, o ministro deixou muito claro que o governo não adotaria medidas que usassem a expressão “controle social” por considerá-la ambígua. Ao final dos trabalhos, apenas uma das mais de 600 resoluções da conferência tinha esta expressão. “A cobertura acabou sendo toda em cima desta expressão”, contou.

Outro episódio ocorreu quando um seminário trouxe integrantes de órgãos reguladores de mídia de várias partes do mundo para explicar como funciona a regulação em seus países. Segundo Franklin, normas de conteúdo em países como Inglaterra e França tratam apenas de assuntos “extremamente óbvios”, como o respeito à criança e ao adolescente. Ainda assim, novamente grandes veículos da imprensa brasileira falaram em tentativa de cercear sua liberdade.

O ex-ministro ressaltou que grandes empresas de comunicação erram ao não querer debater o tema – algo que fizeram, por exemplo, quando se recusaram a participar da Confecom. Franklin Martins alertou que, com a convergência de mídias, as teles irão engolir as empresas de comunicação caso não haja uma regulação sobre sua atuação.


“Blogosfera é o grilo falante da imprensa”

Martins ressaltou ainda que já vê em curso uma democratização dos meios de comunicação, graças às tecnologias digitais e em especial à internet. Nos últimos anos, os custos de produção baratearam para qualquer mídia, desde a gravação de discos até a produção de filmes. Eliminando barreiras inerentes à mídia impressa, como as de distribuição e impressão, a internet barateou e facilitou muito a disseminação do conteúdo.

Além disto, Martins defendeu que há uma revolução promovida pela blogosfera, que está em comentar e até desmentir rapidamente um conteúdo veiculado pela imprensa. Ele exemplificou isto com dois casos recentes: uma coluna de Roberto Jeferson para a Folha de São Paulo que foi detectada como plágio, e o caso célebre da bolinha de papel durante as eleições presidenciais no ano passado. “Costumo dizer que a blogosfera é o grilo falante da imprensa. Pinóquio pode mentir muito, mas tem o grilo falante lhe dizendo que errou”, disse.

Como Franklin Martins, os demais painelistas ressaltaram que uma série de leis, ou de trechos da Constituição não regulamentados, se cumpridos, já contribuiriam muito para a democratização dos meios de comunicação. O jornalista e sociólogo Venício Lima ressaltou que é preciso regulamentar vários pontos que estão previstos pela Constituição, como a criação de conselhos estaduais de comunicação. De 1988 para cá, apenas a Bahia já criou seu conselho. Mesmo assim, o fez apenas em abril de 2011, e ainda nem conseguiu instaurá-lo de fato. Agora, o Rio Grande do Sul pode ser o segundo estado a cumprir o que determina a Constituição.

Venício lembrou que a Carta Magna também impede a criação de oligopólios de comunicação. Mas para que isto se dê na prática é preciso regulamentar, por exemplo, a propriedade cruzada. “Se consolidam grupos proibidos pela Constituição e que contrariam uma norma fundamental para a democracia”, afirmou.

A jornalista Bia Barbosa, integrante do Conselho Diretor do coletivo Intervozes, que luta pela democratização da comunicação, saudou o fato de o debate ser promovido pela magistratura gaúcha, tendo em vista que o STF tem sido um ator da desregulamentação da mídia. Em decisões recentes, o Supremo determinou o fim da Lei de Imprensa, que definia o direito de resposta, entre outras questões, e a desregulamentação da profissão de jornalista. “Estou contente porque o debate está chegando a um ambiente em que antes não chegava”, também ressaltou a deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP).

Ambas também ressaltaram que o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), está barrando a atuação do Conselho de Comunicação Social do Senado. Órgão previsto em lei regulamentada em 1991, só teve sua criação efetiva em 2004. O conselho é formado por treze integrantes da sociedade civil, com dois anos de mandato cada. Após o final do segundo mandato do Conselho, em 2007, o Senado não nomeou mais ninguém e o órgão está parado desde então. Erundina revelou que já acionou o Ministério Público para que o Senado cumpra a lei.

Bia Barbosa, por sua vez, também ressaltou outros descumprimentos flagrantes da legislação do país. Um deles é o das emissoras que apresentam venda de produtos 24 horas por dia – só é permitida a publicidade em 25% da programação de um canal. O Intervozes tem uma ação na Justiça contra estas emissoras que tramita há quatro anos, sem previsão de final. Além disto, falou sobre as concessões irregulares. Segundo ela, 36 das 39 FMs da Grande São Paulo operam com concessões irregulares. “Algumas operam em uma cidade, mas têm concessão para atuar em outra. Muitas têm concessões vencidas há anos”. Venício Lima também citou uma pesquisa em que 50% de uma amostra de emissoras estavam em nome de laranjas.

O próprio Congresso desrespeita a lei
Vários dos painelistas também citaram uma das maiores afrontas à legislação: o descumprimento dos próprios congressistas da lei que veda a eles serem concessionários de serviços públicos. Não à toa, a deputada Luiza Erundina disse que se sente isolada no Congresso na luta pela democratização da comunicação. Ela revelou que nem seu próprio partido, o PSB, nem seus aliados de primeira hora como o PT e o PC do B apoiaram uma Ação de Inconstitucionalidade contra as concessões de radiodifusão de deputados e senadores – apenas o PSOL assinou a ação.

Erundina contou também que os deputados da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informação da Câmara (CCTCI) dão pareceres favoráveis a outorgas de concessão de radiodifusão sem o menor subsídio para analisá-las. Ela revelou que já tentou diversas vezes aprovar requerimento para audiência pública em que as emissoras sejam inquiridas pelos deputados antes de terem sua concessão renovada por 15 anos. “Os meus colegas não deixam nem que haja quórum para votação dos requerimentos, para que não fique sequer evidente quem é contra e quem é a favor”, disse. “Eu tenho tentado só chatear, porque sou uma voz isolada”, completou.

O desembargador do TJ-RS, Eugênio Facchini Neto, alertou que este comportamento dos congressistas pode levar o debate da comunicação a um círculo vicioso, uma vez que um marco regulatório precisaria ser aprovado pelo Congresso. “Vimos aqui neste seminário a dificuldade que há no Congresso, devido a interesses nem tão ocultos de seus membros”.

“Brasil está muito atrasado”, defende jornalista
O chefe-de-redação do jornal O Sul, Elton Primaz cobrou que o governo federal apresente um projeto de marco regulatório. Segundo o jornalista, esta seria a melhor maneira de colocar na mesa um debate claro, de mostrar para a sociedade que não há intento de impor censura aos meios de comunicação como insistem os grandes veículos de comunicação. “Sou pessimista devido à demora do governo em apresentar proposta. No momento em que tiver uma proposta, a sociedade poderá ser informada sobre o que é de fato o marco regulatório”.

“Há uma tentativa de causar confusão entre marco regulatório e censura. O que há hoje é uma censura por parte dos veículos sobre a democratização da comunicação”, completou. Primaz também traçou um breve histórico da regulação dos meios de comunicação em outros países. Os Estados Unidos, apontou, já têm regulação de mídia desde 1930. A Argentina avançou com a Ley de Medios aprovada há dois anos. “O Brasil está muito atrasado”, resumiu.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Pensadores analisaram, na UnB, o futuro da comunicação no mundo

UnB Agência 

Mário Agra
 
Especialista espanhol e ex-ministro venezuelano discutiram nova arquitetura da mídia desencadeada pela internet 
Diogo Lopes de Oliveira - Da Secretaria de Comunicação da UnB
Ignacio Ramonet, reconhecido jornalista e escritor espanhol que ficou famoso à frente do jornal francês Le Monde Diplomatique, esteve na UnB na última terça-feira 1º. Ele desenhou o cenário dos meios de comunicação a partir da criação da web, há 22 anos. “Hoje vivemos um mundo novo com a internet. Ela é tão significativa quanto a construção da palavra, o advento da escrita ou as pinturas rupestres”, defendeu.

Para ele, a internet mudou completamente o ecossistema midiático. “A internet é como o meteoro que caiu em Yucatán, no México, e dizimou os dinossauros. Ele permitiu que nós, mamíferos, evoluíssemos para compor os seres humanos. A internet criou novos nichos”, sintetizou.

De acordo com o jornalista espanhol, o sistema está no seu início e não sabemos até onde ele nos conduzirá. Afirmou que a única certeza é que os cidadãos serão importantes na construção do processo de comunicação. “Há três anos quase não falávamos em facebook ou twitter, e hoje eles fazem parte de nossas vidas. Daqui a cinco anos pode ser que não falemos mais deles. Não temos como saber”, acrescentou.

O jornalista espanhol crê que os meios de comunicação de massa enfrentam a pior crise de seus 150 anos de história. “Nos EUA, em quatro anos, foram fechados 120 jornais e demitidos 120 mil profissionais. Enquanto isso, são desenvolvidos outros meios como as redes sociais e os blogs. Esse é um fenômeno com seus prós e contras e não podemos contê-lo”, assinalou. 

O segundo palestrante, o venezuelano Jesse Chacón, ex-Ministro de Interior e Justiça de seu país, explanou suas ideias sobre a informação como um direito e não como mercadoria. Ele entende que os meios de comunicação se distanciaram do modelo de serviço público e passaram a cumprir funções fundamentalmente de produção e reprodução de capital. “Isso gera padrões de consumo e produz excedentes financeiros de alta rentabilidade para investidores privados”, argumentou.

Para Chacón, a informação está relacionada às liberdades de expressão e pensamento. Ele condenou a concentração monopólica dos meios de comunicação e afirmou que as corporações globais impõem uma verdadeira ditadura midiática, determinando os conteúdos informativos que a maioria dos países consome. “Não existem sociedades plurais se o sistema de comunicação não é plural e o acesso, universal”, comentou. 

Mário Agra
 
JORNALISMO - Ramonet disse não ser mais possível fazer jornalismo como antes. Para ele, as pessoas assumiram maior protagonismo, tanto no consumo quanto na produção de informações, pois atualmente é possível corrigir, mudar e acrescentar conteúdos transformando a informação num processo sempre contínuo. Essa explosão do jornalismo criou um estado de insegurança informacional e os jornalistas não detêm mais o monopólio da informação. De acordo com Ramonet, a passividade do público foi perdida assim como a identidade e a especificidade do jornalista. “O jornalismo nunca teve uma idade de ouro porque sempre teve como inimigos o poder político e o poder do dinheiro”, destacou.

Ramonet brincou com a platéia para depois explicar sua teoria. Ele afirmou que a maioria dos super-heróis do século XX eram jornalistas: super-homem, Tintin e homem-aranha, por exemplo. “Eles eram como caçadores que buscavam a notícia como se fossem presas. Hoje elas se parecem mais com enxames. As notícias são como peças de um quebra-cabeça que muitas vezes não conseguimos montar”, defendeu.

Perguntado sobre o que os jornalistas deviam fazem diante da concorrência dos “amadores” que publicam conteúdos noticiosos por meio de blogs, Ramonet disse: “Trabalhem para ser melhor que eles porque a concorrência existe”, finalizou.
Todos os textos e fotos podem ser utilizados e reproduzidos desde que a fonte seja citada. Textos: UnB Agência. Fotos: nome do fotógrafo/UnB Agência.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

ÁLBUM MUSICAL GRATUITO - Simples.Rap






O grupo baiano Simples Rap’ortagem disponibilizou para download gratuito seu recém lançado álbum musical "Em Primeira Mão". Além das 14 músicas do CD, o arquivo acompanha ficha técnica e todas as letras. 

“Difícil caracterizar uma banda tão surpreendentemente diferente da maioria, num oceano onde mais de 80% é cópia. Muito diferente do CD Demo lançada em 2004 que também, por si só, já trazia uma proposta rítmica interessantíssima, esse álbum reflete um grande amadurecimento e ao mesmo tempo sofisticação e ousadia na experimentação. Trás boa dosagem de recursos novos e tradicionais no gênero, samples nacionais e externos, aliado a criações sui generis. Como é bom se deparar com algo tão inovador! Por essas e outras acredito que o segredo que mantém esse grupo a 17 anos no processo, seja a ímpar capacidade de se reciclar e surpreender, apresentando sempre uma fina criatividade para lidar com temas polêmicos e provocantes, mexendo com a nossa imaginação”. Matheus Rosemberg




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Confira agenda de show no site:
www.simplesrap.com

Maestro Jorge Antunes recebe Comenda, por sua arte cidadã e politizada


       O maestro Jorge Antunes já pode incluir um novo título em sua coleção de honrarias: o de Comendador. Ele acaba de ser indicado para receber a Comenda da Liberdade e Cidadania. A Comenda foi recentemente instituída em Minas Gerais, pelas prefeituras de São João del-Rei, Tiradentes e Ritápolis. O maestro de Brasília é um dos intelectuais que irão receber pela primeira vez a homenagem.
       O que pesou na escolha do nome de Antunes foi a sua história de prática cultural e musical, associada às suas ações cidadãs e à sua luta pela liberdade e pela justiça social. Jorge Antunes foi o autor da Sinfonia das Buzinas, nas lutas populares de 1984 na campanha das Diretas. Ele é conhecido nacional e internacionalmente por sua obra musical, e também por ter sido o precursor da música eletrônica no Brasil em 1961. Ele é autor da ópera Olga, que conta a história e o martírio de Olga Benario, e recentemente apresentou em cidades do DF sua ópera de rua, em uma campanha bem humorada contra a corrupção dos políticos profissionais.
       A entrega da Comenda acontecerá em solenidade no próximo dia 13 de novembro, na Fazenda do Pombal, local do nascimento do herói nacional Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.
       Na lista de agraciados, além do maestro, estão: Ziraldo, Aécio Neves, Aluízio Pimenta, Francisco José Braga e Antonio Anastasia. Outros agraciados, in memoriam, são Tancredo Neves e Itamar Franco.
       A Comenda da Liberdade e Cidadania foi instituída e regulamentada pelo Decreto Conjunto nº 001/2011 dos Municípios de Ritápolis, São João del-Rei e Tiradentes. A Comenda será entregue anualmente, no mês de novembro

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Festa dos 91 anos de Mestre Teodoro

Nelson Breve é nomeado presidente da Empresa Brasil de Comunicação

Terça-feira, 1 de novembro de 2011 às 14:09

Diário Oficial traz nomeação do jornalista Nelson Breve para presidência da EBC

O jornalista Nelson Breve foi nomeado diretor-presidente da EBC pela presidenta Dilma Rousseff. Foto: Valter Campanato/ABr
Foi publicada hoje (1º) no Diário Oficial da União anomeação do jornalista Nelson Breve para o cargo de diretor-presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Ele substitui a jornalista Tereza Cruvinel, que exerceu a função no período de 2007 a 2011.
Secretário de Imprensa no segundo mandato do governo Lula, Nelson Breve formou-se em jornalismo pela Universidade de São Paulo (USP) e trabalhou em diversos órgãos de imprensa, antes de iniciar sua atuação no setor público. Desde abril deste ano, ocupava o cargo de superintendente de Comunicação Multimídia na EBC.
No balanço de seu mandato como diretora-presidenta da EBC, Tereza Cruvinel destacou “a criação da TV pública em âmbito nacional, a articulação de uma rede pública de televisão, a implantação de uma sólida e consistente infra-estrutura de produção e transmissão de última geração, a produção e difusão de conteúdos diferenciados e complementares, observados os princípios da comunicação pública.”
A EBC engloba duas TVs públicas – TV Brasil e TV Brasil Internacional –, a Agência Brasil, a Radioagência Nacional, oito emissoras de rádio e a EBC Serviços, que presta serviços ao governo federal e opera a TV NBR, a única TV estatal do grupo.
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Nota pública: O Intervozes e a defesa do sistema público de comunicação


http://www.intervozes.org.br/noticias/nota-publica-o-intervozes-e-a-defesa-do-sistema-publico-de-comunicacao
 
Sobre a citação que foi feita ao Intervozes pela jornalista Tereza Cruvinel, diretora-presidenta da EBC (Empresa Brasil de Comunicação) em encerramento de mandato, a entidade tem a esclarecer:
 
- O Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social é uma associação civil sem fins lucrativos que trabalha pela efetivação da liberdade de expressão e do direito à comunicação. O coletivo reúne hoje 105 associados em 17 estados brasileiros.
 
- O Coletivo não faz nenhum tipo de indicação profissional nesta ou em qualquer empresa pública ou privada, nem tem nenhum tipo de incidência sobre a atuação profissional de seus associados em seus espaços de trabalho.
 
- O associado Diogo Moyses foi contratado para a função de secretário-executivo do Conselho Curador da EBC não por ser integrante do Intervozes e sim por sua trajetória e competência profissional. Além disso, Diogo esteve afastado das atividades e representação pública do Intervozes durante todo o período em que esteve exercendo o cargo na empresa, justamente para evitar qualquer tipo de associação mal intencionada de terceiros à sua atuação profissional.
 
- O Conselho Curador da EBC, inspirado em diversos órgãos similares em dezenas de empresas públicas de comunicação do mundo, é um espaço fundamental na garantia da autonomia frente a governos e ao mercado. Este Conselho só cumprirá seus objetivos legais se tiver condições concretas de atuar com liberdade, com a participação da sociedade civil em sua composição de forma majoritária, como prevê a atual legislação.
 
- Entendemos que o Conselho Curador tem tido uma atuação muito positiva e um papel absolutamente vital para garantir o caráter público da EBC. O órgão tem demonstrado grande disposição em defender a empresa pública, sem se furtar em propor as medidas necessárias para isso, mesmo quando elas desagradam à diretoria da empresa ou a setores do Poder Executivo e Legislativo.
 
- É importante ressaltar que a Lei nº 11.652/2008, que criou a EBC, determina que os representantes da sociedade civil no Conselho Curador sejam todos designados pela Presidência da República, mas garante que o processo para consulta pública para sua renovação seja feita pelo próprio Conselho, recebendo indicações de entidades da sociedade civil. No primeiro e único processo de renovação, ocorrido em 2010, participaram 65 entidades com 47 indicações para três vagas no órgão. O Conselho compôs, por seus próprios critérios, uma lista tríplice para cada uma das vagas, e encaminhou para designação do então presidente Lula, que tomou a decisão final.
 
- Desde o I Fórum de TVs públicas, em 2007, o Intervozes tem papel destacado na defesa do fortalecimento do sistema público de comunicação. O coletivo acompanhou e apoiou decididamente o processo de criação da EBC, tendo dedicado esforços, inclusive de forma conjunta com a jornalista Tereza Cruvinel, a buscar apoios para a aprovação da medida provisória que se transformou na Lei 11.652. Desde a fundação da empresa, o coletivo produziu e apresentou uma série de contribuições, todas propositivas, em busca do fortalecimento do caráter público da EBC.
 
- A avaliação do coletivo sobre a gestão que se encerra na EBC é comum a uma série de entidades do campo, combina elementos positivos e apontamentos sobre aprimoramentos necessários, e pode ser encontrada em nosso site (www.intervozes.org.br).
 
- Repudiamos as declarações de Tereza Cruvinel e de alguns veículos de comunicação que relacionaram o Intervozes com as decisões tomadas com autonomia pelo Conselho Curador da EBC. Além de não ser verdadeira, a ilação é desproporcional – soa patética, inclusive.
 
O Intervozes seguirá com o papel que se propõe a ter no cenário da luta pela democratização da comunicação no Brasil, combinando formulação e mobilização, mantendo sua independência. Defendemos os princípios constitucionais de liberdade de expressão e acesso à informação, bem como enfrentamos o oligopólio midiático que o país tem hoje. É justamente nossa defesa da democracia que incomoda grupos privados que, acostumados a controlar a esfera midiática, impedem a expressão da diversidade de ideias e opiniões que existem na sociedade e atacam de todas as formas o processo de construção de um sistema público de comunicação.
 
Em tempo: diferentemente do que afirmou matéria da Agência Estado reproduzida em uma série de outros veículos, o Intervozes não é um braço do PSTU e nem de nenhum outro partido político. Aliás, o Coletivo não tem ideia de onde saiu essa afirmação absurda, já que não tem, entre seus 105 associados, nenhum filiado a esse partido. Nossa atuação como entidade é suprapartidária e autônoma, sempre guiada pela defesa do interesse público e do direito à comunicação.

São Paulo, 31 de outubro de 2011.


Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social

Gésio Passos
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