Deu na Imprensa - 19/01 Fundação Perseu Abramo liFundação Perseu Abramo - Deu na Imprensa
O avanço da ômicron e seus desdobramentos ganham destaque nos principais jornais do país, mas a polêmica do dia é a revelação dos supersalários dos procuradores da República: com autorização de Augusto Aras. Membros do MPF chegam a receber mais de R$ 400 mil em um mês após decisão do procurador-geral, que autorizou recebimento de indenizações e outros 'penduricalhos' no contracheque de dezembro; maior valor pago no mês foi de R$ 446 mil.
Sobre a explosão da pandemia, Fernando Brito alerta, no Tijolaço, o desastre que ninguém quer ver: “O número de casos de Covid-19 confirmados na cidade do Rio de Janeiro nestes 18 dias de 2022 ultrapassa um quarto dos casos registrados aqui em 2021. No Natal, não tem um mês, tínhamos 12 cariocas internados por Covid; hoje, 751”.
Sobre eleições presidenciais, Valor informa que TSE vai discutir funcionamento do Telegram e a possibilidade de banir o funcionamento da plataforma no Brasil não está descartada. Segundo o jornal, o presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, vai procurar os demais ministros da corte para discutir que providências tomar em relação à plataforma. Há mais de um mês, ele tenta contato com os representantes do aplicativo de troca de mensagens, sem sucesso.
LULA
Na Folha, reportagem destaca avaliação do governador de Pernambuco sobre a sucessão. União do PSB com Lula não pode emperrar em questão local, diz Paulo Câmara. Ele declarou que a aliança é ‘ação maior’ e que palanque regional não pode ser impeditivo. “Tenho um otimismo grande de que será possível fazer essa aliança no âmbito nacional e continuarmos discutindo questões locais. Mas as questões locais não podem nunca ser impedidoras de uma ação maior que, no entendimento hoje, é estarmos muito unidos em torno da candidatura do presidente Lula”, afirma.
O jornal também noticia que a Rede está dividida e ala busca aliança com Lula em vez de Ciro Gomes. Porta-voz do partido, que defende voto em pedetista, diz que, diante do impasse, tendência é sigla liberar militantes. Sob resistência de Marina Silva, uma ala da sigla defende apoiar Lula ainda no primeiro turno e procurou o PT para abrir diálogo.
Sobre a entrevista coletiva de ontem, Valor noticia que Lula defende retomada do Brasil como exemplo mundial de vacinação. “Especialistas pressionam pela vacinação em massa de crianças, ampla testagem da população e distribuição de máscaras pelo SUS”, aponta o diário.
Painel registra a reação da presidenta nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), ao artigo de Ciro Nogueira e critica inflação, falta de vacinas e orçamento secreto. “Ciro Nogueira, porta-voz de Bolsonaro, faz de tudo para não discutir a situação do Brasil: desemprego, queimadas, isolamento internacional, inflação, carestia, sonegação de vacinas, 620 mil mortes. O Brasil não esquecerá”, disse.
Em outra nota, a coluna destaca que militantes do PT lançam hashtag #LulaSemChuchu contra aliança com Alckmin. O abaixo assinado em oposição a uma chapa com ex-tucano já tem 1.300 participantes. A aliança é defendida por diversas lideranças petistas como uma forma de ajudar na vitória de Lula e colaborar com seu eventual governo.
BOLSONARO
Na Folha, Bruno Boghossian registra mais um feito do presidente: Bolsonaro renova credenciais eleitorais com a turma do desmatamento. “Presidente comemora promessa de campanha cumprida ao reduzir multas ambientais”, resume. “Num evento em Brasília, ele anunciou que o governo reduziu em 80% o registro de infrações nessa área. ‘Paramos de ter grandes problemas com a questão ambiental, em especial no tocante à multa’, celebrou”.
Folha informa que o governador João Doria enfrenta PSDB rachado após prévias, rejeição e dissidência pró-Tebet. “Aliados do governador paulista preveem crescimento nas pesquisas no meio do ano”, relata. Vencedor das prévias presidenciais do PSDB realizadas em novembro, o governador planeja o lançamento de sua campanha em meio a uma série de dificuldades, como a divisão no partido, alta taxa de rejeição, falta de alianças e até uma dissidência tucana a favor da candidatura da senadora Simone Tebet (MDB-MS).
Reportagem especial da Associated Press denuncia o “ouro manchado”, alertando que a mineração ilegal alimenta divisões indígenas. O repórter Sam Cowie escreve a partir de Raposa Serra do Sol, em Roraima: “O acampamento de mineração que se estende por uma encosta de montanha na Amazônia brasileira é pontilhado com lonas plásticas. Sob eles, dezenas de homens labutam em poços rochosos, escavando sacos de minério para serem transportados por caminhão. O ouro será extraído do minério”.
“De todos os lugares onde essa favela não deveria existir, está aqui: no estado de Roraima, no extremo norte do Brasil, que não permite a prospecção de ouro, dentro de uma das reservas indígenas do país onde a atividade de mineração é ilegal e nos flancos desta montanha – Serra do Atola – que os líderes tradicionais do povo Macuxi consideram sagrado”, alerta. O material já foi replicado em mais de 5,1 mil sites e veículos noticiosos ao redor do mundo.
A paralisação dos servidores públicos é tema de reportagem do espanhol El País, que destaca: Autoridades brasileiras dão um alerta a Bolsonaro com paralisação de trabalho. “Anúncio de aumento salarial apenas para policiais mobiliza outros grupos entre os 1,2 milhão de servidores públicos federais”, escreve a correspondente Naiara Galarraga Gortázar.
Ainda no diário madrilenho, Eliane Brum escreve sobre a morte de ativistas no coração da floresta tropical. Três corpos, 18 balas. “O que a execução de uma família na Amazônia tem a ver com a carne do seu prato?”, questiona. Ela alerta que mais de 10 mil km2 desaparecer no ano passado. “Nas últimas quatro décadas, 62 pessoas morreram devido a conflitos de terra somente neste município. Todos os assassinatos — 100% — ficaram impunes. No primeiro massacre na Amazônia deste ano, nada foi roubado. Havia 18 cápsulas de projéteis na cena do crime. Mas até o fechamento desta coluna, a polícia não tinha nenhuma pista sobre o triplo homicídio”, denuncia.
O argentino Página 12 noticia que Bolsonaro deixou escapar que conheceu a ex-presidenta da Bolívia, Jeanine Añez. Mas não há registro de que eles tenham se visto oficialmente, escreve Dario Pignotti. Segundo o correspondente, a revelação confirma as suspeitas sobre o apoio brasileiro ao golpe que derrubou o presidente Evo Morales.
“O possível encontro pode ser a ponta de uma meada onde conspirações, fugas clandestinas, fuga de ministros e talvez entrega de armas se enredem. Em um ato aparentemente involuntário, o capitão e presidente aposentado afirmou: ‘A ex-presidente da Bolívia, Jeanine... Eu estive com ela uma vez, ela é uma pessoa legal que está na prisão’. Para depois acrescentar, com raiva, ‘você sabe qual é a acusação contra ela? (ter cometido) atos antidemocráticos’”, alerta.
O francês Le Monde faz alarde sobre a nova onda Covid-19: Brasil e Alemanha registram número sem precedentes de casos desde o início da pandemia. “Em ambos os países, a variante Omicron é responsável pelo surto. Para a OMS, a pandemia está longe de terminar”, informa. “O Brasil, já um dos países mais enlutados do mundo, registrou seu maior índice de contaminação em vinte e quatro horas”.
INTERNACIONAL
New York Times ressalta em manchete de primeira página a surpresa no plano orçamentário de US$ 216 bilhões: Nova York está inundada de dinheiro. “A governadora Kathy Hochul revelou um novo plano orçamentário recorde, enquanto as autoridades estaduais projetam orçamentos equilibrados até 2027, sem nenhum dos avisos típicos de déficits de bilhões de dólares”, resume.
O Washington Post destaca que a invasão da Ucrânia pela Rússia é iminente e que o secretário de Estado se reunirá com o colega russo enquanto a Casa Branca alerta que Moscou pode atacar a Ucrânia ‘a qualquer momento’. Antony Blinken vai se reunir com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, em Genebra na sexta-feira, em um esforço para resolver o impasse.
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