quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

 

Jeferson Miola: Plano de Trump para Gaza desvia atenção sobre roubo de US$ 524 bi de gás e petróleo dos palestinos

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Ilustração: Renato Aroeira (@arocartum)

Por Jeferson Miola, em seu blog

Em Auschwitz, Treblinka e em outros campos de concentração, os nazistas não descartavam nenhum objeto com valor monetário pertencente aos judeus.

Eles roubavam até o ouro dos dentes arrancados da boca de judeus assassinados nas câmaras de gás.

Antes disso, os algozes nazistas já haviam roubado e saqueado todos os bens, pertences e propriedades das vítimas.

Depois de despojados desses últimos itens de valor que ainda portavam nos seus corpos, os cadáveres seguiam para incineração nos fornos ou enterro em valas coletivas, como lixo.

Aquela realidade tétrica dos anos 1930/1940 do século passado guarda, lamentavelmente, uma tétrica similitude com o que acontece com o povo palestino hoje, confinado no campo de concentração de Gaza.

Ali, naquele inferno nazi-sionista, e amontoados como entulho, os palestinos aguardam seu extermínio enquanto são observados por um mundo passivo, impotente e, por isso, cúmplice com o Holocausto palestino.

Israel está fazendo igual ou até pior que Hitler. Está roubando tudo, sobretudo o direito daquele povo a existir. Israel está levando a pleno êxito o propósito de extermínio total, da “solução final”.

Em artigo no Al Jazeera em março de 2024 o professor Sultão Barakat, das Universidades Hamad Bin Khalifa e York, denunciou “tropas israelenses saqueando as propriedades de palestinos que fugiram de sua agressão brutal. Soldados podem ser vistos sorrindo para a câmera e exibindo relógios, joias, dinheiro e até mesmo tapetes e camisas esportivas que eles roubaram de casas palestinas. Artefatos históricos roubados de Gaza foram até mesmo colocados em exposição no Knesset [parlamento israelense]”.

Para Barakat, a pilhagem israelense não surpreende. Muito ao contrário. Tais cenas “lembram muito o que os palestinos viram acontecer com suas propriedades enquanto fugiam da limpeza étnica pelas forças sionistas na Nakba de 1948”.

“Como o historiador israelense Adam Raz descreve em seu livro Saque de propriedade árabe na Guerra da Independência [2020], combatentes e civis judeus saquearam tudo, desde joias, livros e vestidos bordados até alimentos e gado, móveis, utensílios de cozinha e até ladrilhos” das casas de palestinos, assinala Barakat.

Com o Estado de Israel estabelecido, o roubo de palestinos ganhou “maior escala”. Além das terras e propriedades, “os recursos naturais palestinos, particularmente a água, também foram saqueados. Hoje, a guerra em Gaza está servindo como uma cobertura conveniente para outro roubo em grande escala; desta vez, Israel está buscando saquear as reservas marítimas de gás offshore que são propriedade do estado da Palestina”.

Estudo da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento/UNCTAD realizado em 2019 concluiu que “territórios palestinos têm gás e petróleo que podem gerar centenas de bilhões de dólares”. Reservatórios com quantidades significativas de gás e petróleo estão localizados no território ocupado da Cisjordânia, e também na costa mediterrânea da Palestina, na Faixa de Gaza.

A UNCTAD calcula que as reservas de petróleo representam 1,7 bilhão de barris [ou US$ 71 bilhões] e 122 trilhões de pés cúbicos de gás natural [ou US$ 453 bilhões], significando uma riqueza total de 524 bilhões de dólares, a valores de 2019, data do estudo.

Esta cifra extraordinária, que permitiria à Palestina se afirmar como um Estado soberano, rico e sustentável, constituído por uma população diminuta, equivale ao PIB de Israel, de 528 bilhões de dólares [FMI/2024], e é superior ao PIB de mais de 170 países do mundo.

No artigo do professor Barakat citado acima, o autor denunciou que no final de outubro de 2023 o Ministério de Energia e Infraestrutura de Israel concedeu a empresas israelenses e estrangeiras o direito de exploração de gás natural de propriedade palestina, localizado dentro das fronteiras marítimas da Palestina. Um ato escancarado de roubo, pilhagem e pirataria.

Barakat entende que “é preciso se perguntar por que empresas estrangeiras, incluindo a italiana Eni, a britânica British Petroleum e a Dana Petroleum, uma subsidiária da Korea National Oil Corporation, decidiram continuar sua participação neste acordo, principalmente em meio à contínua campanha israelense do que a Corte Internacional de Justiça identificou como um caso plausível de genocídio”.

A resposta pode ser porque o Holocausto palestino, além de atender ao plano nazi-sionista de limpeza étnica, é enormemente benéfico aos negócios daqueles conglomerados econômicos transnacionais, e por isso representa uma poderosa moeda de troca do sionismo a favor do seu projeto genocida.

Quando o assunto é o povo palestino, os interesses econômicos ficam acima de princípios básicos de humanidade.

Barakat lembra que além da ilegalidade da concessão israelense das riquezas palestinas, a participação da italiana Eni nesse negócio ilegal viola normas da União Europeia, que determinam que “todos os acordos entre o Estado de Israel e a União Europeia devem indicar inequivocamente e explicitamente sua inaplicabilidade aos territórios ocupados por Israel em 1967”.

O povo palestino está no centro do jogo macabro de Israel, dos Estados Unidos e seus países vassalos.

A Riviera de Gaza-Auschwitz, projeto de Donald Trump, demanda a limpeza étnica total, com o extermínio de todo e qualquer vestígio humano e material do povo palestino ou, então, a diáspora radical.

Tragicamente, é preciso reconhecer que se Trump decidir avançar na concretização dessa idéia infame, ele não será detido.

A construção de um resort no Mediterrâneo para o gozo da elite mundial aparenta ser parte de um plano maior que o negócio turístico-imobiliário do conglomerado Trump em associação com capitais estadunidenses e europeus, porque pode estar encobrindo o roubo, também, de mais de meio trilhão de dólares de gás e petróleo dos palestinos.

Os negócios de Trump e dos grandes capitais abastecem o motor da máquina nazi-sionista-assassina de Netanyahu.

*Este texto não representa obrigatoriamente a opinião do Viomundo.

 


 

Câmara: PT, 45 anos de luta por direitos dos trabalhadores e em defesa da democracia

Plenário da Câmara dos Deputados ficou lotado com militantes, autoridades e parlamentares durante sessão solene

Thiago Coelho/Câmara dos Deputados

Na sessão, discursos emocionados sobre a trajetória de luta do PT

Em sessão solene na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (12), parlamentares do Partido dos Trabalhadores (PT) celebraram os 45 anos de fundação do partido. Eles destacaram as conquistas históricas protagonizadas pela sigla e a resistência democrática frente aos ataques da extrema direita nos dias atuais. Os discursos emocionados relembraram a trajetória de luta do PT e a promessa de continuar defendendo a democracia, a justiça social e os direitos dos trabalhadores. Além disso, foram homenageados os militantes que, ao longo de décadas, construíram e fortaleceram o partido em todo o País.

A presidenta Nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), afirmou que a trajetória do partido é baseada em uma história de “luta, resistência e conquistas que mudaram a vida de milhões de pessoas no Brasil”. Ela ressaltou que o PT “nasceu diferente e transformador”, organizado a partir de núcleos de base, contrariando as “tradições políticas autoritárias e excludentes”. “O partido surgiu no chão das fábricas, nos campos e assentamentos, nas escolas e nas ruas, recebendo a contribuição de militantes políticos, religiosos, intelectuais e artistas, formando um mosaico riquíssimo da alma brasileira”, afirmou.

Gleisi também enfatizou que a história do PT está “indelevelmente associada à reconquista e ao aprofundamento da democracia no Brasil”. A deputada enfatizou o combate da legenda à ditadura militar e à defesa de direitos como a liberdade de organização e manifestação.

Gleisi Hoffmann ainda citou as principais conquistas dos governos petistas, como o programa Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, Farmácia Popular, o aumento real do salário mínimo, a maior reforma agrária da história e a retomada do crescimento econômico. Além disso, recordou das políticas de inclusão, como a Lei de Cotas no ensino superior e no serviço público, e a criação de ministérios voltados para as mulheres, igualdade racial, direitos humanos e povos indígenas.

Impeachment e perseguição política

Gleisi Hoffmann também criticou o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, classificando-o como “golpe”, e mencionou a perseguição política que se seguiu, incluindo a condenação ilegal de Lula. Ela celebrou a vitória de Lula nas eleições de 2022, que representou a “vitória sobre o terror e o ódio, da mentira e da máquina”, e frisou a importância do PT na reconstrução do País.

Lindbergh Farias também criticou os adversários políticos e relembrou os momentos difíceis enfrentados pelo partido. “Eles diziam que o PT tinha acabado, mas em 2022 elegemos Lula presidente da República novamente”, disse. Ele sublinhou a importância da militância petista. “Houve uma militância corajosa que não se acovardou, mesmo diante da perseguição. Essa militância se agigantou e nos fez vencer”.

Transformação do Brasil

O deputado Carlos Veras (PT-PE), primeiro-secretário da Mesa Diretora da Câmara, relembrou sua filiação ao PT aos 16 anos e destacou o papel do partido na transformação do Brasil. “Tive a honra de me filiar ao Partido dos Trabalhadores aos 16 anos de idade, com a esperança de que, através dele, transformaríamos nosso país e daríamos oportunidade àqueles que mais precisam”, afirmou. Ele ressaltou as políticas sociais dos governos petistas, como o combate à fome e a expansão do acesso à educação e à saúde. “Foi o governo do PT, dos presidentes Lula e Dilma, que acabou com a fome neste país e levou o direito à moradia, à saúde e à educação de qualidade”, disse. Veras também ressaltou a necessidade de continuar lutando por melhorias: “Já tiramos o Brasil do Mapa da Fome uma vez e, até o final do governo Lula, vamos tirar novamente”.

Resistência e democracia

O deputado Odair Cunha (PT-MG) celebrou a resistência e a luta do PT ao longo de 45 anos, ao destacar o papel do partido no fortalecimento da democracia. “Celebrar os 45 anos do PT é fazer história da nossa democracia. A mais importante lição que o trabalhador brasileiro aprendeu é que a democracia é uma conquista que se constrói com as próprias mãos”, observou. Ele também lembrou o Manifesto de Fundação do partido e a importância de continuar sonhando com um Brasil mais justo e solidário. “Sonhamos com um país justo, solidário e fraterno, e hoje temos a oportunidade de fazer isso acontecer novamente sob a liderança do presidente Lula”, disse Cunha.

Mulheres no poder

A deputada Jack Rocha (PT-ES), coordenadora da Bancada Feminina do PT na Câmara, reafirmou a importância das mulheres no Parlamento. “Democracia se faz com a participação das mulheres na política e nós estamos diante de uma bancada histórica feminina. Esse partido presidido por uma mulher fez com que nós pudéssemos também nos enxergar como sujeitas de direito, como já fizemos há muito tempo, para disputar espaços importantes e representarmos aqui a voz de tantas brasileiras e também de tantos brasileiros”, afirmou.

O líder do governo, deputado José Guimarães (PT-CE), homenageou a deputada Gleisi Hoffmann, que está deixando o comando do partido após sete anos. Ela é a primeira mulher eleita para dirigir o PT nacionalmente. “Quero homenagear a presidenta Gleisi por tudo o que ela fez pelo país, pelo PT e pelo governo do presidente Lula. Sem a Gleisi o PT não estaria vivo como está hoje. Sem a Gleisi nós não teríamos vencido a eleição para a Presidência da República. Ela construiu uma aliança potente, ela construiu as bases fundamentais para garantir a vitória do presidente Lula”, reconheceu.

Jack Rocha também ressaltou a importância de Gleisi no PT. “Ela [Gleisi] merece toda a nossa honradez, toda a nossa galhardia, todo o nosso reconhecimento, porque levou a militância nos períodos mais dolorosos a acreditar na esperança e na utopia de voltar a governar o nosso país. Presidenta Gleisi, a senhora é a nossa inspiração”.

Militância

Os parlamentares também homenagearam os militantes que contribuíram para a história do PT, desde os fundadores até os jovens militantes. Gleisi afirmou que “sem vocês, Lula não teria subido novamente a rampa do Palácio do Planalto”. José Guimarães destacou que a vitória só foi possível porque o PT tem algo que é “sagrado, a militância”. “É essa militância que dá vitalidade ao PT, essa militância que sustenta o nosso sonho, essa militância que faz com que a nossa bancada tenha coragem de enfrentar o bolsonarismo aqui no plenário Ulysses Guimarães, é essa militância que impulsiona as mudanças que o governo presidente Lula está fazendo”.

Emoção e testemunho

A deputada Benedita da Silva (PT-RJ), coordenadora-geral da Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados, emocionou a todos com seu discurso. “Eu me sinto neste momento como uma criança, numa emoção que jamais senti em minha vida. Eu tenho esse partido no meu coração, eu tenho um partido do qual sou fundadora também, mas que trouxe a mim e a muitas mulheres da favela a esperança de que nós estaríamos e teríamos vez e voz”, afirmou. Ela relembrou a caminhada do PT e a importância de Lula como líder operário que conquistou o coração dos brasileiros. “Nós estamos aqui porque nós reconhecemos que Luiz Inácio Lula da Silva foi, com muito sacrifício, um líder operário que pode falar às massas além dos trabalhadores e pode tocar os nossos corações onde nós estávamos”, disse.

Benedita também destacou o papel das mulheres no PT e a importância de Gleisi Hoffmann como presidenta do partido. “Nós temos ela como presidenta, porque nesse partido nós não nos curvamos a nenhum regulamento que pudesse nos proibir de ter voz e de organizarmos e estarmos nesse partido”, observou.

Ela encerrou seu discurso dizendo que é “testemunha de um partido que cresceu e que sempre esteve com os mais pobres, os mais vulneráveis, os chamados miseráveis dessa terra”. “É por isso que ele está de volta, Luiz Inácio Lula da Silva, porque nós temos um partido, nós não temos apenas um ajuntamento de pessoas, com proposta, com programa. Nós temos um partido que é uma escola política, um partido que nos faz permanecer firmes e fortes diante das adversidades e ganhamos todas. Porque somos um partido dos trabalhadores e um partido das trabalhadoras. Viva o PT! Viva as mulheres! Viva os homens! Viva essa força! Feliz aniversário, PT”.

A ministra da Saúde, Nísia Trindade, e os parlamentares do PT Airton Faleiro (PA)Juliana Cardoso (SP)Valmir Assunção (BA), Erika Kokay (DF)Vicentinho (SP)Reimont (RJ)Dandara (MG)Carlos Zarattini (SP)Adriana Accorsi (GO)Bohn Gass (RS)Camila Jara (MS)Welter (PR)Zé Neto (BA) e Arlindo Chinaglia (SP) também fizeram o usa da palavra e homenagearam os 45 anos do PT.

Do PT Câmara