segunda-feira, 4 de julho de 2022

Lula promete restabelecer orçamento participativo: 'sociedade vai decidir que obra é importante'

 

Por Aline Pavaneli e Fabiana Genestra,

Márcio Cesar Costa falou à RPC das dificuldades com a fome — Foto: RPC

Márcio Cesar Costa falou à RPC das dificuldades com a fome — Foto: RPC

O eletricista Márcio Cesar Costa, de Curitiba, está desempregado desde 2021 e, diariamente, luta para conseguir manter a comida na mesa para ele, a esposa e quatro filhos.

Márcio Cesar Costa falou à RPC das dificuldades com a fome — Foto: RPC

Márcio Cesar Costa falou à RPC das dificuldades com a fome — Foto: RPC

O eletricista Márcio Cesar Costa, de Curitiba, está desempregado desde 2021 e, diariamente, luta para conseguir manter a comida na mesa para ele, a esposa e quatro filhos.

Nesta segunda-feira (4), ele disse que a refeição da família foi arroz, feijão e “vina”, mas, emocionado, lembrou que não é sempre que eles têm o que comer.

“Ontem nós comemos arroz e feijão. E tem dia que não tem nem isso dentro de casa [...] devido a eu não ter um grão de arroz na minha panela, e eu falar 'poxa, o que eu vou fazer agora?'".

A realidade que ele e a família enfrentam não é um caso isolado.

Pesquisa mostra que 14 milhões de pessoas não têm o que comer nas regiões sul e sudeste
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Pesquisa mostra que 14 milhões de pessoas não têm o que comer nas regiões sul e sudeste

A pesquisa 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19, divulgada em junho, analisou a insegurança alimentar durante a pandemia no Brasil e concluiu que a qualidade da alimentação caiu para muitos moradores da região Sul, assim como em todo o país.

A pesquisa foi realizada nos 26 estados e no Distrito Federal, com entrevistas feitas em mais de 12 mil casas. O levantamento foi feito entre novembro de 2021 e abril de 2022.

Nas regiões Sul e Sudeste, a população com segurança alimentar, ou seja, aquela que tem acesso permanente a alimentos de qualidade, caiu de 2020 para hoje.

População em segurança alimentar:

  • 2020: 65,6 milhões
  • 2021/2022: 57,7 milhões

A pesquisa também mostrou que, entre os períodos analisados, são 5 milhões de pessoas a mais com restrições na quantidade de comida, ou seja, pessoas que precisam pular refeições por falta do que comer. É a chamada insegurança alimentar moderada.

  • 2020: 10,6 milhões
  • 2021/2022: 15,8 milhões

Quando o recorte é sobre pessoas que passam fome, ou seja, em insegurança alimentar grave, número praticamente dobrou no Sul e no Sudeste: são 14 milhões de pessoas nesta situação.

  • 2020: 7,4 milhões
  • 2021/2022: 14 milhões

“E que as famílias todo dia tem que acordar, e descobrir como elas vão se alimentar. Vão correr atrás, vão pedir alimento na rua, de alguma forma tentar conseguir alimentação para seus filhos, seus pais, enfim, para todo mundo da casa. A solução vem de emprego, vem de renda, saúde, educação, mas isso demora. Enquanto isso, as pessoas precisam comer, até porque sem alimento a pessoa não estuda, não trabalha, não procura emprego”, explicou Rodrigo Afonso, diretor-executivo da Ação da Cidadania.

 

Lula tem encontro com empresários na Fiesp nesta terça-feira

José Roberto Ermírio de Moraes, do Conselho Superior de Economia da Fiesp, e economistas como André Lara Resende e Paulo Rabelo de Castro estarão no almoço com o ex-presidente

www.brasil247.com - Fiesp e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Fiesp e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Divulgação | Ricardo Stuckert)

Por Eduardo Maretti, da RBA - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participa, nesta terça-feira (5), de almoço com empresários paulistas na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na Avenida Paulista. José Roberto Ermírio de Moraes – presidente do Conselho Superior de Economia da Fiesp – e economistas como André Lara Resende e Paulo Rabelo de Castro, entre outros, estarão no almoço, assim como o pré-candidato a vice, o ex-governador Geraldo Alckmin (PSB).

As diretrizes que vão basear o programa de governo de Lula e da aliança dos sete partidos que compõem a frente em seu apoio vão estar no cardápio do almoço na Fiesp. Lula tem estreitado o diálogo com o chamado PIB nas últimas semanas. Na terça-feira da semana passada (28), também em reunião fechada com empresários, disse-lhes que não será imprevisível na área econômica.

O almoço na Fiesp desta terça é também marcado por reunir Lula e o novo presidente da entidade, Josué Gomes da Silva, filho de José Alencar, vice-presidente da República nos dois mandatos do petista, de 2003 a 2010, que morreu em 2011. Em 2017, Lula visitou a Coteminas, empresa que era de Alencar e naquele ano já era administrada por Josué.

Fim de 17 anos de Skaf

O presidente da Fiesp é apontado como um empresário discreto, que, ao contrário do pai, não gosta tanto de política, embora tenha se candidatado ao Senado em 2014, sendo derrotado pelo então tucano Antonio Anastasia. Por outro lado, é um homem de diálogo, diferentemente de Paulo Skaff, ex-presidente da federação. Skaf comandou a entidade por 17 anos.

Em fevereiro, recém-empossado menos de dois meses antes, Josué já se reuniu com as centrais. Na ocasião, segundo a Folha de S. Paulo, o presidente da CUT, Sérgio Nobre, declarou que o encontro era “muito simbólico” e representava “esperança”, dada situação do país com Jair Bolsonaro. 

Segundo um interlocutor de Lula, mesmo evitando se envolver diretamente com política, Josué Gomes da Silva “é um democrata, preocupado com a indústria paulista, que dará nova dinâmica à Fiesp”, já que Skaf “ficou refém de Bolsonaro e sequer atendia as centrais”. Nesse sentido, a relação entre centrais e a Fiesp volta a ser “civilizatória”. A gestão de Paulo Skaf ficou marcada pelo pato inflável da campanha contra e ex-presidente Dilma Rousseff.

Mais à frente, Lula deve voltar à Fiesp, mas neste caso já no contexto de uma série de reuniões da entidade com os principais pré-candidatos a presidente. A do petista será em 9 de agosto. O encontro com Ciro Gomes (PDT) é previsto para 27 de julho e com Simone Tebet (MDB), para 1º de agosto.

O presidente português

Neste domingo (3), Lula se encontrou  com o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, em São Paulo. Segundo a assessoria do petista, a conversa girou em torno da guerra na Ucrânia, do mundo depois da pandemia de covid-19 e do cenário político na América Latina.

“Foi muito importante a análise sobre a guerra da Ucrânia, os efeitos geopolíticos, econômicos e sociais sentidos na Europa. Falamos depois na situação da América Latina, o que pode resultar disso tudo, o atual e o novo equilíbrio geopolítico”, explicou Rebelo a jornalistas. “Naturalmente falei do ponto de vista europeu sobre a guerra, já que somos membros da Otan e da União Europeia”, acrescentou.

Devido ao encontro de Rebelo com Lula, previamente anunciado, Bolsonaro resolveu cancelar a audiência que estava marcada com o chefe de Estado português nesta segunda-feira (4), em mais um episódio constrangedor para a diplomacia brasileira. Rebelo de Sousa comentou o gesto do colega brasileiro com bom humor e ironia. “É possível o almoço? Muito bem. Não é possível? Ninguém morre”, disse. “Em Portugal temos uma frase: ‘Ninguém deve fazer-se convidado, nem para boda, nem para batizado”, acrescentou.